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COVID-19

Falta de oxigênio afeta mais de meio milhão de pessoas em países de baixa e média renda

02 Mar 2021 - 17h00Por ONU
Falta de oxigênio afeta mais de meio milhão de pessoas em países de baixa e média renda - Crédito: Paula Bittar/SAPS/Ministério da Saúde do Brasil Crédito: Paula Bittar/SAPS/Ministério da Saúde do Brasil

Reconhecendo a importância central do fornecimento sustentável de oxigênio – ao lado de produtos terapêuticos como a dexametasona – para o tratamento da COVID-19, o pilar terapêutico do acelerador de acesso a ferramentas contra a COVID-19 (ACT), coliderado pela Unitaid e Wellcome, está assumindo um novo papel de coordenação e defende o aumento do fornecimento de oxigênio e, em parceria com um consórcio liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou na quinta-feira (25) o lançamento da Força-Tarefa para Emergência de Oxigênio devido à COVID-19 (COVID-19 Oxygen Emergency Taskforce).

Desde o início da pandemia, o acesso sustentável ao oxigênio tem sido um desafio crescente em países de baixa e média renda.

A pandemia de COVID-19 pressionou os sistemas de saúde, com hospitais em muitos desses países ficando sem oxigênio, resultando em mortes evitáveis e famílias de pacientes hospitalizados pagando um alto preço pela escassez de suprimentos.

O oxigênio é essencial e, apesar de ser vital para o tratamento eficaz de pacientes com COVID-19 hospitalizados, o acesso em países de baixa e média renda é limitado devido ao custo, infraestrutura e barreiras logísticas.

As unidades de saúde muitas vezes não têm acesso ao oxigênio do qual precisam, resultando em uma perda desnecessária de vidas.

Estima-se que mais de meio milhão de pessoas em países de baixa e média renda precisam atualmente de 1,1 milhão de cilindros de oxigênio por dia, com 25 países relatando picos de demanda, a maioria na África. Esse suprimento era limitado antes da COVID-19, mas foi agravado pela pandemia.

O diretor executivo da Unitaid, Philippe Duneton, disse que "esta é uma emergência global que precisa de uma resposta verdadeiramente global, tanto de organizações internacionais quanto de doadores.

Muitos dos países que viram essa demanda lutaram antes da pandemia para atender às suas necessidades diárias de oxigênio.

Agora é mais vital do que nunca que nos unamos para desenvolver o trabalho que já foi feito, com o firme compromisso de ajudar os países mais afetados o mais rápido possível".

A força-tarefa determinou uma necessidade imediata de um financiamento de US$ 90 milhões para enfrentar os principais desafios no acesso e distribuição de oxigênio em até 20 países, incluindo Malaui, Nigéria e Afeganistão.

Este primeiro conjunto de países foi identificado com base em avaliações coordenadas pelo Programa de Emergências de Saúde da OMS, a fim de combinar as necessidades do país com o potencial financiamento - como por meio do Banco Mundial e do Fundo Global. A Unitaid e Wellcome vão injetar US$ 20 milhões no total.

As necessidades urgentes e de curto prazo de outros países serão medidas e custeadas nas próximas semanas, com a necessidade de financiamento geral ao longo dos próximos 12 meses estimada pelo ACT em US$ 1,6 bilhão - um valor que será regularmente revisado.

O diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, Mike Ryan, afirmou que "o oxigênio salva vidas e é imperativo avançar mais rapidamente para aumentar a escala holisticamente com soluções completas centradas no paciente que melhoram os resultados clínicos.

A OMS tem trabalhado por meio do Consórcio Biomédico para reunir os parceiros técnicos, clínicos e de compras com cerca de US$ 80 milhões em equipamentos biomédicos adquiridos para países de baixa e média renda.

A Força-Tarefa ajudará a impulsionar o aumento da escala de oxigênio por meio de mais inovação, financiamento e capacitação".

"Fizemos avanços críticos no fornecimento de cuidados e tratamentos clínicos que salvam vidas para pacientes com COVID-19 no ano passado.

O impacto da combinação de oxigênio e dexametasona para tratar pacientes gravemente doentes tem sido, em particular, incrível.

Mas o acesso global aos avanços permanece desigual. Precisamos aumentar urgentemente o acesso ao oxigênio medicinal para garantir que os pacientes estejam se beneficiando, independentemente de onde morem e da capacidade de pagar.

A solidariedade internacional é a maneira mais rápida - e única - de sair desta pandemia.

É um imperativo de saúde pública, científico, econômico e moral que todas as ferramentas sejam disponibilizadas globalmente", declarou o diretor de operações da Wellcome, Paul Schreier.

A força-tarefa reúne organizações-chave que têm trabalhado para melhorar o acesso ao oxigênio desde o início da pandemia, incluindo OMS, UNICEF, Fundo Global, Banco Mundial, CHAI, PATH, a coalizão Every Breath Counts e Save the Children.

Com base nesses esforços, os parceiros se concentrarão em quatro objetivos principais como parte de um plano de resposta a emergências: medir as necessidades de oxigênio agudas e de longo prazo nos países de baixa e média renda; conectar países a parceiros financeiros para suas necessidades de oxigênio avaliadas; e apoiar a aquisição e fornecimento de oxigênio, juntamente com produtos e serviços relacionados.

Outras áreas no escopo da força-tarefa incluem abordar a necessidade de intervenções inovadoras de modelagem de mercado, bem como reforçar os esforços de defesa para destacar a importância do acesso ao oxigênio na resposta à COVID-19.

Segundo a diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore, o oxigênio é uma intervenção médica simples que permanece em falta para muitas pessoas ao redor do mundo.

"A pandemia da COVID-19 agravou essa escassez aguda e a tornou uma emergência total.

Mas abordar a lacuna de oxigênio não ajudará apenas no tratamento da COVID-19 em países que estão perdendo muitas vidas que poderiam ser salvas.

Também ajudará a melhorar os sistemas de saúde e os resultados de saúde além da COVID-19 a longo prazo, incluindo para muitos recém-nascidos e crianças que precisam de oxigênio para sobreviver".

Notas aos editores
Mesmo antes da COVID-19, a pneumonia era a maior causa de morte infecciosa de adultos e crianças, ceifando a vida de 2,5 milhões de pessoas em 2019.

A pandemia exacerbou esse problema, particularmente em países de 'dupla carga' que estão lutando com altos níveis de pneumonia e COVID-19.

Além de atender às necessidades imediatas da pandemia, a força-tarefa busca alavancar os ganhos nessa área para ajudar no controle da pneumonia em longo prazo.

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