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Mudanças climáticas podem prejudicar o setor avícola

22 Dez 2015 - 11h15
Estudos sobre preferência térmica em matrizes de frango de corte indicam redução da atividade motora das aves com o aumento de temperatura ambiente e menor frequência de utilização do ninho. - Crédito: Foto: DivulgaçãoEstudos sobre preferência térmica em matrizes de frango de corte indicam redução da atividade motora das aves com o aumento de temperatura ambiente e menor frequência de utilização do ninho. - Crédito: Foto: Divulgação
A avicultura, assim como outros setores da agropecuária, poderá ser afetada pelas mudanças climáticas. E o estresse ao calor constitui um dos principais fatores do clima que impactam a indústria avícola, devido à redução da qualidade e produção de ovos e para sua sobrevivência, de modo geral. “Dados globais combinados de temperatura da superfície terrestre e oceânica mostram um aquecimento de 0,85°C (0,65 a 1,06°C), superior ao período de 1880 a 2012”, alerta a pesquisadora Magda Aparecida de Lima, do Laboratório de Biogeoquímica e Gases Traço (LBGT), da Embrapa Meio Ambiente (SP).


De acordo com ela, os animais adultos têm seu máximo desenvolvimento em temperaturas entre 18 e 20°C, e são sensíveis a altas temperaturas, com elevada mortalidade quando a temperatura ambiente excede 38°C. “O estresse por calor é responsável por grandes perdas no rendimento de frangos, ocorrendo diminuição do peso corporal e aumento de mortalidade. Estudos sobre preferência térmica em matrizes de frango de corte indicam redução da atividade motora das aves com o aumento de temperatura ambiente, menor frequência de utilização do ninho, e aumento no consumo de água”, informa Magda.


De maneira geral, informa a pesquisadora, algumas respostas à mudança do clima na avicultura podem incluir: redução do consumo de alimento; redução na produção de poedeiras; queda nos níveis de fertilidade; atividade motora reduzida; aumento da mortalidade; e surgimento de doenças. “Além disto, a atividade baseia-se fortemente em dietas de grãos, cujas lavouras podem vir a ser afetadas pela mudança do clima.”

Desafios


Aplicar novas tecnologias já disponíveis, buscar soluções – como aclimatação, melhoramento genético e tecnologias relacionadas à infraestrutura das granjas – e aplicar investimentos em instalações que amenizem os efeitos de altas temperaturas são os principais desafios do setor avícola brasileiro. “Este, de fato, será um importante desafio para grande parte de criadores, não só do Brasil, mas de muitos outros países. Daí a importância de o Brasil dispor de um bom plano nacional e regional de adaptação à mudança do clima, tendo em vista as especificidades de cada região em termos climáticos e socioeconômicos e, ao mesmo tempo, dispor de recursos para investimento em pesquisas visando novas tecnologias e estratégias de baixo custo para produtores”, comenta Magda.


Segundo ela, as soluções estão apenas começando a ser pesquisadas como, por exemplo, o estudo que vem sendo realizado por pesquisadores da Universidade de Delaware (EUA), com a busca de características avícolas visando à sua maior adaptação ao aumento de calor, como é o exemplo das galinhas africanas de pescoço pelado. “Há mais iniciativas em curso nesse sentido em outras instituições. Além disto, como ferramentas úteis de adaptação, é importante mapear riscos climáticos regionais e aptidões para produção animal, bem como buscar linhagens mais resistentes, controle de zoonoses e outros aspectos.”

Emissão de GEEs


No que diz respeito à sustentabilidade ambiental, o setor avícola, assim como outros da agropecuária, também pode colaborar para a redução de gases de efeito estufa (GEEs). “Desde que as maiores emissões de gases decorrem da demanda por sistemas de produção de grãos e do uso de combustível fóssil para fins de abastecimento, aquecimento local, ventilação, iluminação, transporte, e outras atividades relacionadas à cadeia produtiva, sua redução poderia ser obtida por meio da adoção de medidas de conservação que diminuam as necessidades de aquecimento e pela substituição de combustível fóssil por outras fontes de energia como combustíveis renováveis”, indica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.


As emissões de metano a partir de dejetos animais, conforme Magda, dependem muito do sistema de manejo de esterco utilizado, bem como das condições e da forma como o sistema é operado. “Sabemos que o confinamento de animais tende a provocar maior produção e concentração de dejetos que, se tratados de forma anaeróbia (sem oxigênio), irá produzir metano. No caso da avicultura, entretanto, boa parte do esterco é seca e precisa da adição de água para as operações de conversão a biogás. Os altos níveis de amônia e as necessidades de água para diluição são alguns dos desafios para a digestão de esterco de aves.”


As emissões de N2O (óxido nitroso), provenientes de solos agrícolas que receberam dejetos da avicultura, como fertilizante nitrogenado, representam cerca da metade do total emitido pelo rebanho nacional (excetuadas as emissões por pastagem) – ver quadro abaixo. Por isto, a prática de compostagem pode ser uma solução eficiente para evitar a perda de óxidos de nitrogênio para a atmosfera, mostra a pesquisadora.

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