Dourados – MS segunda, 27 de setembro de 2021
Dourados
37º max
20º min
Institucional - Setembro
Expoagro Digital

Com quebra da safra de milho produtores estudam alternativa

Dados do Siga/MS indicam que 63% das lavouras do Mato Grosso do Sul estavam em estado ruim e apenas 1% bom; produtividade caiu pelo menos pela metade após estiagem prolongada e cinco geadas

14 Set 2021 - 11h30Por Ana Paula Amaral
Engenheiro agrônomo e produtor rural Pedro Luiz da Costa - Crédito: DivulgaçãoEngenheiro agrônomo e produtor rural Pedro Luiz da Costa - Crédito: Divulgação

Os efeitos da estiagem prolongada no início do ciclo e a ocorrência de cinco geadas de intensidade moderada a forte no Mato Grosso do Sul já aparecem nos resultados do milho safrinha. Ainda não há dados oficiais, mas a estimativa é que a quebra na safra varie entre 50% e 60%, dependendo da região. O resultado desta equação trouxe prejuízos para muitos produtores e acendeu o alerta sobre a necessidade de maior planejamento das próximas safras.

No MS, a área plantada para o milho safrinha no ciclo 2020/2021 foi de 2,003 milhões de hectares - aumento de 5,7% quando comparada à temporada anterior, que foi 1,895 milhão de hectares. O prognóstico inicial, que previa volume 9,013 milhões de toneladas de grãos e uma produtividade média de 75 sacas por hectare, foi revisado e reduzido para 6,285 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,3 sacas por hectare. A queda na estimativa é resultado de uma equação já conhecida pelos agricultores no inverno: estiagem prolongada, geada e até granizo em algumas regiões.

Segundo o Sindicato Rural de Dourados, o município já terminou de colher os 180 mil hectares plantados com milho safrinha. A produção, segundo o presidente Ângelo Ximenes, caiu pela metade, passando da média de 80 para 40 sacas por hectare. “Tivemos 72 dias de seca no início do desenvolvimento da planta e cinco geadas. No entanto, mesmo quem colheu pouco conseguiu cobrir os custos porque conseguiu vender a saca por R$ 90, que é um preço excelente”, explica.

O engenheiro agrônomo Flávio César de Carvalho colheu em média 40 sacas por hectare em duas propriedades entre Dourados e Fátima do Sul. Segundo ele, com relação à safra anterior, a quebra foi de 65%. “Mesmo que o resultado não tenha sido o esperado, a gente não pode desistir. Faz parte da nossa atividade e agora é seguir em frente e pensar na safra de soja”, afirma o produtor, que pretende semear a oleaginosa em 120 hectares até o dia 20 de setembro. 

Redução de riscos
O engenheiro agrônomo e produtor rural Pedro Luiz da Costa explica que há muita variação na produtividade dentro de uma mesma propriedade. Nas áreas plantadas mais cedo, ele conta que chegou a colher 80 sacas por hectare; já naquelas plantadas mais tarde, a produtividade foi de 10 sacas por hectare. A quebra na safra em uma área de 600 hectares plantados foi de 60%. “Neste momento, o produtor precisa parar e avaliar a situação, buscando alternativas para depender menos da chuva e contornar os efeitos do clima”, explica.

Segundo ele, a quebra na safra de milho foi provocada por uma série de fatores, que incluem também o plantio tardio devido ao atraso na safra de soja. “Se a gente voltar no tempo, foi uma soma de fatores. Por isso, é preciso planejar agora e adotar estratégias para que o resultado não seja o mesmo na safra seguinte. O produtor não pode correr tanto risco”, acrescenta.

Entre as alternativas para planejar a safra e evitar futuros prejuízos, está a rotação de culturas, utilizando parte da área para o cultivo de outras espécies forrageiras, como ervilhaca e aveia, aumentando assim a absorção de água no solo. “Se o produtor reservar 20% da área do milho para outras plantas forrageiras, em cinco anos terá criado um reservatório de água no solo, melhorando a absorção de nutrientes, o enraizamento e o controle de ervas daninhas”, explica.

Outra estratégia importante é respeitar o prazo indicado para as culturas – no caso do milho, preferencialmente o mês de fevereiro. “Para isso, é preciso plantar a soja agora, logo após o fim do vazio sanitário da soja. Se Deus mandar chuva, é importante plantar logo para colher no período certo”, acrescenta.

Outras medidas incluem o seguro agrícola, importante para cobrir eventuais prejuízos, e a implantação de sistemas de irrigação. “Temos acompanhado áreas com patamares de produtividade excelentes! Esta é uma alternativa que precisa ser avaliada pelo produtor, porque resolve o problema de stress hídrico e tem um retorno garantido em pouco tempo”, acrescenta.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Falta de chuvas atrasa plantio de soja em Mato Grosso do Sul
Rural

Falta de chuvas atrasa plantio de soja em Mato Grosso do Sul

26/09/2021 13:00
Falta de chuvas atrasa plantio de soja em Mato Grosso do Sul
Produção agrícola em 2020 bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões
Rural

Produção agrícola em 2020 bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões

22/09/2021 13:00
Produção agrícola em 2020 bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões
A exemplo das abelhas, gestão e logística são essenciais na multiplicação dos enxames
Rural

A exemplo das abelhas, gestão e logística são essenciais na multiplicação dos enxames

22/09/2021 12:00
A exemplo das abelhas, gestão e logística são essenciais na multiplicação dos enxames
Expoagro Digital movimenta mais de R$ 50 mi em Feira de Negócios
Expoagro Digital

Expoagro Digital movimenta mais de R$ 50 mi em Feira de Negócios

20/09/2021 15:31
Expoagro Digital movimenta mais de R$ 50 mi em Feira de Negócios
Selo Arte para produtos de abelhas e derivados permitirá expansão da apicultura em Mato Grosso do Sul
Rural

Selo Arte para produtos de abelhas e derivados permitirá expansão da apicultura em Mato Grosso do Sul

20/09/2021 13:00
Selo Arte para produtos de abelhas e derivados permitirá expansão da apicultura em Mato Grosso do Sul
Últimas Notícias