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Rejeição de políticos deve aumentar faturamento da indústria gráfica em MS

05 Abr 2016 - 06h00
“Os nossos representantes políticos têm de pensar no coletivo e não no individual”, diz Julião Gaúna. - Crédito: Foto: Divulgação“Os nossos representantes políticos têm de pensar no coletivo e não no individual”, diz Julião Gaúna. - Crédito: Foto: Divulgação
A crescente rejeição de políticos devido a denúncias de corrupção e envolvimento em vários tipos de atos ilícitos, como recebimento de propinas e superfaturamento de obras públicas, tende a aumentar o faturamento da indústria gráfica em Mato Grosso do Sul.


Pelo menos é essa a avaliação o presidente do Sindigraf/MS (Sindicato das Indústrias Gráficas de Mato Grosso do Sul) e Abigraf/MS (Associação Brasileira da Indústria Gráfica no Estado), Julião Flaves Gaúna.


A leitura que se faz é que as divulgações dos candidatos por meio de produtos gráficos devem aumentar consideravelmente neste ano devido a crescente rejeição dos políticos de uma forma geral.


Segundo ele, depois de um início de ano de queda, tanto na produção, quanto nas vendas, as indústrias gráficas de Mato Grosso do Sul esperam que as eleições municipais deste ano possam dar um fôlego nas já combalidas finanças do segmento.


"Os pleitos para os cargos de prefeitos e vereadores dos 79 municípios do Estado aumentaram a possibilidade de as indústrias gráficas do Estado fazerem bons negócios em decorrência da necessidade de os políticos terem de amenizar a imagem negativa para se obter votos. Com a perda de credibilidade devido aos últimos acontecimentos, vender esse produto que é o político se tornou muito complicado e, portanto, quem for candidato terá de investir pesado na divulgação, principalmente, com produtos impressos, como folders, praguinhas (adesivos de papel) e outros tipos de materiais de propaganda eleitoral", detalhou Julião Gaúna.


Além do envolvimento de políticos de MS na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, como do senador Delcídio do Amaral (sem partido) e o deputado federal Vander Loubet (PT), as operações Lama Asfáltica e Coffee Break comprometem lideranças locais, principalmente interessadas na sucessão do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP).


Outros casos também colocam em risco algumas pré-candidaturas na Capital e no interior do Estado. Há dias, por exemplo, o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PTB), e mais 20 pessoas, incluindo ex-secretários municipais e empresários, tiveram bloqueados pela Justiça R$ 315 milhões em bens por prestação de serviço de tapa-buraco em "buraco fantasma".


Em entrevista coletiva à imprensa, Nelsinho negou a prática de irregularidades. "Jamais houve o pagamento indevido ou a maior, a qualquer título, para qualquer empresa, ou qualquer ação dessa natureza na prefeitura durante a nossa gestão", garantiu, ao apresentar documentos para contestar a denúncia feita pelo MPE-MS (Ministério Público do Estado) sobre a existência de irregularidades.


Para Julião Gaúna, caso se confirme essa projeção, será possível minimizar as perdas de faturamento registradas pelas indústrias gráficas sul-mato-grossenses desde 2014. "Neste momento de grandes dificuldades que o segmento passa, graças à gana arrecadadora dos governos federal, estadual e municipal, as eleições municipais podem ser a luz no fim do túnel para nós empresários. Esperamos que os gastos com a campanha, em especial, com os produtos impressos sejam ampliados para que possamos reverter a situação financeira atual", explicou, segundo a Fiems (Federação da Indústria de MS).

Carga tributária


O dirigente também aproveita para criticar a atual carga tributária que recai sobre o segmento. "Com a previsão de fecharmos o 3º trimestre deste ano com mais de 134 mil desempregados no Estado, O Governo precisa agir de forma rápida para reverter esse quadro e os impostos precisam diminuir para que o custo de operação também caia.


O setor produtivo não pode pagar sozinho a conta dessa crise, que é fruto da falta de gestão pública. A cada dia que passa, a competitividade dos nossos produtos diminui, impossibilitando que possamos enfrentar de igual para igual com outros mercados", analisou.


Julião Gaúna cobra uma solução mais rápida para o imbróglio político-partidário que está acabando com a confiança do Brasil nos mercados externos.


"Os nossos representantes políticos têm de pensar no coletivo e não no individual como sempre fizeram. A massa produtiva deste país precisa acompanhar e pressionar para que seja encontrada uma solução para que o caos não se enraíze ainda mais", destacou, completando que ainda é possível encontrar uma solução para o atual entrave econômico e financeiro nacional. "As investigações que estão em curso precisam cumprir com o papel de levar os responsáveis por toda essa corrupção para a cadeia e, assim, os brasileiros voltarão a acreditar no Brasil", finalizou.

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