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Política

Gravação cita políticos não indiciados na Uragano

24 Mai 2011 - 23h28
Delcídio do Amaral e Geraldo Resende negam recebimentos de propina - Crédito: Foto: DivulgaçãoDelcídio do Amaral e Geraldo Resende negam recebimentos de propina - Crédito: Foto: Divulgação
DOURADOS – Gravações da Operação Uragano feitas pela Polícia Federal no ano passado citam que o senador petista Delcídio do Amaral e o deputado federal peemedebista Geraldo Resende estariam envolvidos em suposto esquema de desvios de recursos em obras públicas de Dourados. Os áudios obtidos pelo portal Terra e divulgados ontem trazem à tona parte do capítulo do livro censurado do ex-secretário da prefeitura de Dourados Eleandro Passaia, delator da Operação Uragano.

‘A máfia do paletó’, escrito por Passaia logo depois da Operação levar para atrás das grades 28 pessoas entre autoridades políticas, agentes públicos e empresários do Mato Grosso do Sul, teve um capítulo censurado pela gráfica. Era nele que continha as informações do áudio de uma conversa entre o ex-diretor de Obras de Dourados Jorge Hamilton Torraca com Eleandro Passaia. Na gravação Torraca explica como funcionaria a divisão dos recursos entre o então prefeito Ari Artuzi, o senador Delcídio e o secretário nacional de Saneamento Básico do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski. As gravações, que estavam em segredo de justiça, foram realizadas nos dias 5 e 16 de junho de 2010.

O capítulo censurado do livro foi divulgado posteriormente por Passaia, mas o áudio da conversa ficou retido, não sendo repassado a imprensa, como aconteceu em outras gravações. Num trecho dos áudios, Passaia diz que o empreiteiro Geraldinho, da empresa Planacon, vencedora da licitação para realizar obras de saneamento, repassava 5% do valor das obras para Delcídio e 10% para o deputado Geraldo Resende. Ele questionou ao ex-secretário Torraca a diferença dos percentuais.

Respondendo Passaia, Torraca disse que, dependendo da obra, o percentual é diferenciado. O \"retorno\" de emendas ou recursos federais intermediados pelo senador, segundo ele, varia de 2,5% para casas populares, a até 10% em obras de pavimentação ou saneamento básico, quando o lucro pode ser maior. No dicionário da política, \"retorno\" significa o dinheiro que as empresas devolvem para os parlamentares depois que as obras são concluídas.

OUTRO LADO

Mesmo citado nos áudios da Operação Uragano, Delcídio do Amaral e Geraldo Resende não foram citados no inquérito da Polícia Federal. Nem o Ministério Público chegou a denunciá-los. Em nota à imprensa, a assessoria de Delcídio disse que “Jorge Torraca e Geraldinho ao deporem na Polícia Federal, sequer citam o nome do senador nos fatos apurados pela Operação, comprovando a inexistência de envolvimento do senador”. Também disse que o áudio divulgado pelo portal Terra é fruto de mais uma investida de seus adversários políticos, já que o inquérito foi conduzido em segredo de Justiça em face da fragilidade das denúncias.

A assessoria de Geraldo Resende também nega qualquer envolvimento em recebimentos de propinas de obras executadas em Dourados.

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