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Política

Crise pode esvaziar o PP no Estado

31 Mai 2011 - 09h26
Campo Grande - O PP de Mato Groso do Sul vive uma crise existencial. O imbróglio foi criado, nos últimos tempos, por um fechamento frenético de diretórios municipais (hoje restritos a apenas cinco) e consequente migração de filiados e lideranças para outras legendas.

O estopim da crise no PP, segundo ex-progressistas que abandonaram a sigla, teriam sido irregularidades patrocinadas com recursos do partido pelo ex-deputado federal Antonio Cruz (PP).

Também presidente regional da legenda, ele é acusado de ter utilizado, para fins próprios, dinheiro de campanha nas eleições de 2010, sem repassar a cota que caberia aos demais candidatos progressistas.


Cruz teria efetuado saques irregulares do fundo partidário do PP. Outra denúncia dá conta de que o ex-parlamentar utilizou notas fiscais frias para justificar serviços não prestados, com a finalidade de resgatar recursos do fundo partidário, o que teria motivado a sua destituição do cargo de dirigente estadual da sigla – função que mais tarde foi recuperada, via Justiça, por Cruz.

Todas as supostas irregularidades atribuídas ao ex-parlamentar teriam irritado muitos filiados. Os que ainda resistem na legenda estariam exigindo mudanças radicais no núcleo do PP, incluído no comportamento de Cruz, sob pena de também abandonarem a sigla.

A crise no PP chegou a tal ponto que, no dia 23 deste mês, o partido cancelou a convenção agendada para escolher a sua nova direção estadual. O fato obrigou o deputado estadual Alcides Bernal a recorrer à Executiva Nacional da legenda, nos últimos dias, para que seja encontrada uma saída para a crise que o partido vive em MS.

Bernal, que se diz pré-candidato do PP para disputar as eleições à Prefeitura da Capital em 2012, assinala que a crise no partido vem sendo utilizada por outras legendas para cooptar algumas lideranças progressistas no Estado. Ele mesmo teria sido convidado a sair do PP, mas dá sinais de que vai persistir na sigla ainda por um tempo.

O deputado lembra que a crise que afeta o PP atingiu o seu ponto alto há pouco tempo na Capital: em função do imbróglio, a sede estadual do partido foi abandonada. Há três meses o imóvel não é palco da mais simples reunião da legenda, atestam alguns progressistas revoltados com a situação enfrentada pelo PP regional.

ESTRUTURA

O PP de MS recebe cerca de R$ 160 mil anuais através do fundo partidário. Os pacatos recursos recebidos têm a ver com o tímido número de partidários da legenda com cargos eletivos no Estado: possui um deputado estadual (o próprio Bernal), um prefeito e um número reduzido de vereadores.

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