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Congresso tem de evitar 'escalada despótica' de Bolsonaro, segundo Humberto Costa

Para o senador, governo apela para a radicalização porque não tem projeto para o país

03 Mar 2020 - 09h25Por Agência Senado
Congresso tem de evitar 'escalada despótica' de Bolsonaro, segundo Humberto Costa - Crédito: Beto Barata/Agência Senado Crédito: Beto Barata/Agência Senado

Ao discursar em Plenário nesta segunda-feira (2), o senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou que o presidente da República "tem uma clara tendência ditatorial e fascistóide". O parlamentar criticou Jair Bolsonaro por apoiar as manifestações convocadas contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Humberto disse que o Congresso precisa "tomar em suas mãos as rédeas desse processo ou vai dar espaço a uma escalada despótica do presidente da República".

— Como este governo não tem um projeto para o país, como não tem uma proposta para nos tirar desse buraco em que está nos colocando, apela para a radicalização contra os Poderes da República, contra os pilares da nossa democracia — declarou o senador, acrescentando que, "daqui a pouco, vai surgir algum movimento do tipo 'Fecha o Congresso!', 'Fecha o Senado!'".

Greve de PMs no Ceará
Humberto Costa também criticou a atuação do governo federal durante a greve de policiais militares no Ceará. Ele disse que o ministro da Justiça, Sergio Moro, tentou "politizar" a crise de segurança ocorrida naquele estado.

— Ameaçar retirar a Força Nacional na semana passada, com a possibilidade de a população ficar desprotegida diante dos bandidos, é absolutamente inaceitável — protestou.

Segundo o parlamentar, Moro "apostou" em uma situação conflitiva, em vez de demonstrar "total solidariedade" ao governador do Ceará.

Orçamento impositivo
Ao comentar o veto do presidente da República ao orçamento impositivo, lembrou Humberto Costa  que Bolsonaro apoiou a aprovação desse mecanismo quando era deputado federal, "mas hoje diz que isso prejudica o governo".

— Nosso partido [o PT] sempre foi contra essa ideia. O Parlamento tem que votar o orçamento e definir as prioridades, mas quem tem que aplicar é o governo — ressaltou ele, acrescentando que "nós tivemos que aceitar, ainda no governo Dilma, uma parte impositiva do orçamento". 

O senador destacou que o próprio governo Bolsonaro fez um acordo para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que aumenta o número de emendas parlamentares impositivas.

— Este governo fez o acordo. Eu estranhei. Como é que um governo abre mão de poder administrar o seu orçamento? — questionou.

Para Humberto Costa, "o presidente é incompetente para lidar com a crise e, em vez de governar, culpa o Congresso pelos seus próprios fracassos". 

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