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Confronto entre aliados do governo será inevitável nas eleições de outubro

23 Mai 2016 - 06h00
Ex-senador Delcídio Amaral, Dorival Betini e ex-deputado Londres Machado. - Crédito: Foto: DivulgaçãoEx-senador Delcídio Amaral, Dorival Betini e ex-deputado Londres Machado. - Crédito: Foto: Divulgação
Pelo cenário que se desenha até o momento, o confronto entre os partidos políticos aliados do governo e candidatos do PSDB deverá ser inevitável nas eleições municipais de outubro, em Mato Grosso do Sul.


O duelo em Campo Grande e em outras cidades do interior, no entanto, não deve estremecer a relação entre governistas e aliados na Assembleia Legislativa, conforme analistas.


Em Campo Grande, por exemplo, a vice-governadora Rose Modesto (PSDB) se articula para derrotar aliados do governador, como os deputados estaduais Marquinhos Trad (PSD) e Márcio Fernandes (PMDB), além da eventual candidatura do empresário Sérgio Longen (PR).


A exceção do candidato do PMDB do ex-governador André Puccinelli, a cúpula tucana não descarta apoio a Marquinhos Trad na hipótese de Rose não passar ao segundo turno, o que não deve ocorrer com candidatos como o prefeito Alcides Bernal (PP) e o do PT, que não está indefinido.


O deputado federal Zeca do PT e o deputado estadual Pedro Kemp são as principais opções, mas o vereador Alex do PT colocou seu nome à disposição do partido, na semanada passada.


O certo é que durante as divergências na campanha, que começa em agosto, quando os debates devem ficar acalorados, o secretário Sérgio de Paula (Casa Civil) vai precisar de muito jogo de cintura na tentativa de evitar desgaste na relação e um eventual racha na base aliada.


Em Dourados, o deputado federal Geraldo Resende (PSDB) vai enfrentar o deputado estadual Renato Câmara (PMDB), outro aliado de primeira hora do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), e a vereadora Délia Razuk (PR), apoiada pelo presidente regional da legenda, ex-deputado estadual Londres Machado. Articulado e com trânsito em vários partidos, o cardeal republicano deve aconselhar os candidatos do PR a fazer uma campanha propositiva, até para evitar desgaste com o grupo político liderado por Reinaldo Azambuja.


Líder da mais recente pesquisa de intenções de voto divulgada pelo Ipems (Instituto de Pesquisa de Mato Grosso do Sul), a própria Délia Razuk já deu o tom de como será a sua campanha.


Em entrevista recente em Dourados, a vereadora defendeu uma campanha limpa, sem ataques entre os adversários, enfocando a necessidade apenas do debate de ideias.


"Eu espero uma política assim porque este é o meu jeito e não tem porque ser diferente", afirmou a pré-candidata do PR, partido que ocupa cargos no governo de Reinaldo Azambuja.

Interlocutor indeciso


A relação com os tucanos é tão boa que não foi a toa que Londres indicou como seu principal interlocutor no governo o assessor parlamentar e vice-presidente regional do PR, Dorival Betini, nomeado na Casa Civil.


A ideia é que Betini, que trocou a assessoria da deputada estadual Grazielle Machado (PR) na Assembleia Legislativa, por uma sala anexa ao gabinete do secretário Sérgio de Paula, possa fazer a interlocução com os prefeitos do interior.


Por causa dessa barganha entre os caciques políticos do PSDB e do PR, o funcionário da Assembleia cedido ao governo ainda está indeciso quanto ao seu apoio no próximo pleito, principalmente em Dourados, uma vez que presta assessoria há anos para Geraldo Resende e para o partido de Londres.


Essa indecisão de Betini também deve ocorrer em vários municípios, fato que pode atrapalhar os planos do governador Reinaldo Azambuja, principalmente no interior, onde o PSDB trabalha para eleger maioria dos prefeitos e fazer uma forte bancada nas Câmaras de Vereadores.


O alinhamento político entre PSDB e PR, no entanto, só ocorreu após as eleições, já que os partidos se enfrentaram em 2014. À época, o PR indicou Londres como vice na chapa do senador Delcídio do Amaral (ex-PT), derrotado no segundo turno.


Outro confronto inevitável deve ocorrer em Caarapó, onde o prefeito Mário Valério (PR) é candidato a reeleição contra o ex-correligionário e hoje desafeto político, ex-prefeito Mateus Palma de Farias, que filiou-se ao PSDB à convite do governador.


Outro entre os vários embates entre aliados deve ocorrer em Três Lagoas, onde o PSDB se articula para eleger o deputado estadual Ângelo Guerreiro. Lá, estão cogitados o ex-conselheiro do Tribunal de Contas, Cícero de Souza (PSB), os vereadores Idevaldo Claudino (PTB) e Jorge Martinho (PSD) e o empresário Rógerson Rímoli (PDT).


Apesar disso, a Mesa Diretora da Assembleia costuma entrar no circuito em épocas de eleições visando conciliar os trabalhos e, mais do que isso, impedir eventuais conflitos internos por causa das divergências no calor dos debates lá fora. A ideia, nesse caso, é que os desentendimentos durante a campanha não contaminem a boa relação institucional mantida até agora entre o Legislativo e o governo do Estado, isso porque Reinaldo Azambuja depende da base aliada para tocar a sua administração.

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