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Política

Câmara praticamente “sepulta” denúncia contra Cabeludo sobre moradias

10 Mai 2011 - 22h07
Foto: reprod. - Foto: reprod. -
A Câmara de Vereadores da Capital praticamente “sepultou”, nesta terça-feira (10), o caso do suposto envolvimento do vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB) em um esquema fraudulento de intermediação de casas populares via pagamento de popina.

A novela parece ter tido um fim com a decisão conjunta de Cabeludo e da Câmara de exonerar o ex-assessor parlamentar do vereador, Celso Roberto Costa, o pivô de todo o imbróglio, que causou saia justa às lideranças peemedebistas, tanto da Casa como em nível de município e Estado, já que Costa também havia acusado o envolvimento de assessores próximos do governador André Puccinelli (PMDB) no suposto esquema.

Preso até esta manhã na sede do Garras (Grupo Armado de Repressão a Assaltos, Roubos e Sequestros) na Capital, Costa se transformou, da última quinta-feira (5), dia em que fez a denúncia a um polêmico site da Capital, de “mocinho a vilão” no episódio.

Tanto é que na sexta-feira (6), um dia após ele fazer as denúncias, foi preso e levado ao Garras, onde ficou incomunicável por várias horas - o Garras o acusa de já ter tentado fazer chantagem contra Cabeludo.

Histórico comprometedor

Na manhã desta terça, aliás, o histórico de atuação do ex-assessor foi lembrado nos vários discursos feitos na Câmara para desqualificar as denúncias que este fez contra Cabeludo. Um dos mais fortes discursos feitos em favor de Cabeludo partiu do presidente da Casa, o igualmente peemedebista Paulo Siufi. Ele disse que desde o pimeiro momento não acreditou nas acusações feitas contra Cabeludo.

“Eu tinha certeza que o Vanderlei (Cabeludo) não estava envolvido. A Câmara sempre esteve tranquila. Nenhum vereador tem envolvimento com irregularidades”, disse Siufi. Ele falou que até a manhã desta terça não havia recebido nenhum comunicado oficial da polícia acerca das denúncias contra Cabeludo.

Por outro lado, Siufi afirmou que só vai abrir sindicância para apurar a veracidade das denúncias feitas pelo ex-assessor do vereador, caso tenha acesso a alguma prova robusta acerca do suposto episódio, que efetivamente incrimine Cabeludo.

Oportunista

Por sua vez, Cabeludo falou nesta terça que foi vítima de um oportunista e que, por isso, é inocente no episódio. “Eu não tenho nada a ver com isso. Jamais fiz alguma coisa errada. Sou um homem trabalhador”, afirmou o vereador, em tom emocionado.

Segundo Cabeludo, Costa teria exigido dele R$ 8 mil, em forma de extorsão, para poder pagar as pessoas que participaram supostamente do esquema de intermediação ilegal das casas populares. Cabeludo, no entanto, não revelou o teor da chantagem feita pelo ex-assessor. “Isso não faz o meu perfil. Eu luto pela cultura, eu luto pelo sertanejo. Eu quero que a policia apure tudo”, ressaltou Cabeludo.

Segundo o vereador, Costa trabalhava em seu gabinete desde o início do ano e já havia atuado com ele em campanhas políticas anteriores. “Ele era como um coringa no gabinete. Fazia de tudo lá”, disse Cabeludo, que também falou que as supostas provas colhidas pela polícia acerca do caso mostram que ele não teve envolvimento com o esquema.

As denúncias de Costa obrigaram, inclusive, a Agehab (Agência Municipal de Hbitação) a convocar, às pressas, nesta segunda-feira (9), através do Diário Oficial do Município, mutuários que teriam sido supostamente beneficiados com o esquema que teria funcionado no gabinete de Cabludo. Ao todo 111 pessoas foram chamadas para esclarecer o modo como tiveram acesso às moradias.

O caso

Nas denúncias que fez na última quinta acerca das irregularidades existentes na forma de distribuição de moradias populares na Capital, Costa revelou que no gabinete de Cabeludo funcionava uma espécie de “balcão de negócios” envolvendo o repasse das moradias.

A suposta fraude funcionaria assim: famílias que procuravam a Agehab e até mesmo o governo do Estado para obterem a casa pópria, tinham que pagar taxas de R$ 600 para contar com o privilégio de ingressarem no topo dos cadastros dos interessados.

As denúncias de Costa o levaram à prisão na sexta-feira (6) de manhã. Entre os motivos que o levaram à prisão estaria o fato de moradores que teriam sido abordados para o pagamento da taxa denunciada por ele, terem o reconhecido como um dos operadores do tal esquema.

Inclusive, Costa teria sido visto recebendo os valores cobrados dos interessados pelo privilégio desses encabeçarem a lista dos contemplados com os primeiros lugares da fila de espera.

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