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Política

Câmara de Dourados cassa último ´uragano`

21 Mar 2011 - 21h35
Vereador Marcelo Barros tentou convencer os vereadores, mas sem sucesso - Crédito: Foto: Hédio Fazan/PROGRESSOVereador Marcelo Barros tentou convencer os vereadores, mas sem sucesso - Crédito: Foto: Hédio Fazan/PROGRESSO
Valéria Araújo

DOURADOS – O vereador Marcelo Barros (DEM) foi cassado na tarde de ontem por nove votos e três impedimentos. O parlamentar foi o último a ser julgado do grupo de nove vereadores, que foram presos na Operação Uragano da Polícia Federal, desencadeada em setembro do ano passado.

O julgamento começou às 14h. Marcelo Barros chegou acompanhado do pai, Roberto Djalma Barros, da mãe, Bela Barros e de familiares. A defesa do parlamentar foi representada pelo advogado Alessandro Lemes Fagundes.
Após lidas as denúncias de quebra de decoro, seguidas pela defesa prévia, a Câmara determinou duas horas de explanação para a defesa do parlamentar.
O primeiro a falar foi Marcelo Barros. Ele disse que tinha ciência do que estava para acontecer, mas que em respeito aos seus eleitores decidiu esclarecer todas as acusações contra ele.

Barros disse que sempre lutou para acabar com os desmandos da administração do então prefeito Ari Artuzi. “Prova disso foi que defendi o fim do aumento do IPTU e denunciei no Ministério Público as licitações fraudulentas no transporte público. Eu jamais trocaria minha carreira política pela quantia de R$ 7 mil, que me acusam de ter recebido”, disse afirmando que muitos dos vereadores que fariam parte da administração corrupta de Artuzi, estavam na Câmara ontem julgando-o. “ É preciso refletir se os suplentes estão fazendo justiça ou cometendo vingança contra a minha pessoa. É preciso esclarecer também o jogo de interesses pela minha vaga”, acrescentou.

Em outro momento o vereador lançou um desafio. Disse que se alguém tivesse um vídeo com provas de que ele recebeu dinheiro poderia apresentar. “Não há nenhum vídeo, nenhuma prova de que eu recebi dinheiro, ou que eu fiz abrandamento político nesta Casa para defender aos interesses do Executivo”, disse.

Na versão de Marcelo Barros, o ex-secretário de governo da prefeitura Eleandro Passaia, ligou para ele no dia do jogo do Brasil com o Chile, na Copa do Mundo, insistindo para que ambos pudesem conversar.
Marcelo teria entrado no carro e recusado receber o dinheiro.

“O endemoniado (Passaia) ficou no meu pé insistindo para que eu recebesse o dinheiro. Eu desci do carro e ele foi atrás. Disse para ele entregar o dinheiro na lavanderia do Lar Santa Rita. Fiz isto porque apesar de ser policial, não tinha como pegar nas mãos do Passaia, levar para uma delegacia e o acusar. Quem iria acreditar em mim, justamente as vésperas de uma eleição para deputado estadual?”, indagou.

Segundo Marcelo Barros, na lavanderia ele tinha mais de oito testemunhas e iria flagrar Passaia oferecendo o dinheiro. “Fiquei a manhã inteira lá esperando o ex-secretário e ele não apareceu”, disse, lembrando que a Câmara fez dois relatórios, sendo que o primeiro o absolve das acusações.


A defesa do parlamentar insistiu na tese de falta de provas e mostrou vídeos posteriores ao encontro entre Passaia e Marcelo Barros. “Não houve abrandamento nenhum por parte de Marcelo Barros, pelo contrário, ele continuou denunciando o Executivo”, disse, observando que o que se mostrava nos vídeos não preenchia os requisitos para cassar o mandato do parlamentar por quebra de decoro. A defesa não foi suficiente para convencer os vereadores que votaram pela cassação. Declararam-se impedidos de votar os parlamentares: Cido Medeiros, Alan Guedes e Pedro Pepa. Esse último se torna o titular da vaga com a cassação de Barros.

Votaram a favor da cassação os vereadores: Albino Mendes, Alberto Alves dos Santos, Délia Razuk, Elias Ishy, Idenor Machado, Juarez Amigo do Esporte, Cemar Arnal, Walter Hora e José Silvestre. Este último e Alan Guedes substituíram Gino Ferreira e Dirceu Longhi, que foram impedidos pela Justiça de votar por também terem sido indiciados pala Justiça no mesmo processo. No final da sessão houve um princípio de tumulto, mas foi rapidamente dissipado. Uma mulher foi agredida a tapas ao comemorar a cassação de Marcelo Barros.

Ao todo cinco vereadores foram cassados: Humberto Teixeira Junior, Júlio Artuzi, Paulo Henrique Bambu, Marcelo Hall (Marcelão) e Marcelo Barros. Outros quatro pediram renúncia: Sidlei Alves, Zezinho da Farmácia, Aurélio Bonatto e José Carlos Cimatti.

Os trabalhos das comissões processantes começaram no dia 15 de dezembro. Cada processo contou com mais de 200 páginas.

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