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EDUARDO CUNHA

Aliado de Cunha é pressionado a renunciar à presidência interina

06 Mai 2016 - 11h12
No dia em que a Câmara dos Deputados assistiu à queda de seu presidente, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) — ejetado do cargo após decisão histórica e unânime do STF (Supremo Tribunal Federal) —, os deputados passaram o dia em especulações e negociações de olho na próxima vítima: o primeiro vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA).

O deputado assumiu nesta quinta-feira (5) a presidência interina da Câmara e, como primeiro ato, encerrou a sessão no plenário pela manhã, causando a revolta de parlamentares anti-Cunha, como lideranças do PSOL, PCdoB e PT.

A decisão, no entanto, deu gás para a articulação de bastidores, com parlamentares participando de reuniões fechadas em seus gabinetes e na residência oficial de Cunha ao longo de toda a quinta.

Para a "tropa de choque" de Cunha, formada por integrantes do chamado "centrão" (PTB, PSC, PSD e PSB), e para os partidos da oposição (PSDB, PPS, DEM e SD), Maranhão "não tem condições" de presidir a Casa porque "não resistiria às pressões do cargo".

Por isso, eles pressionam Maranhão a renunciar ao cargo e, assim, forçar uma nova eleição para a primeira vice-presidência da Câmara — e, consequentemente, para a presidência interina da Casa.

Um dos principais locais de negociação ontem foi a residência oficial do presidente da Câmara, que virou ponto de peregrinação de aliados. Passaram pelo local o líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), e os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Beto Mansur (PRB-SP), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Wellington Roberto (PR-PB), entre outros. A reunião se estendeu até depois das 22h30.

Aliados de Cunha chegaram a sugerir que o peemedebista renunciasse à presidência, negociando em troca a manutenção de seu mandato. Como o Supremo também o afastou do seu mandato, líderes consideram "muito difícil" ele renunciar. Com isso, o cargo de presidente da Câmara não estará vago, o que torna impossível a realização de nova eleição.

Pela interpretação do regimento interno feita pela Secretaria-Geral da Mesa Diretora, só seria possível eleger um presidente da Casa em caso de morte, renúncia ou perda de mandato, o que não é o caso de Cunha. Com isso, pela interpretação da Mesa, Waldir Maranhão tem o direito de permanecer presidindo interinamente a Câmara enquanto Cunha estiver afastado.

Politicagem

Em seu terceiro mandato consecutivo, o parlamentar é vacinado no jogo político, tanto que manteve uma posição dúbia durante votação de impeachment.

Ele foi alvo de holofotes recentemente após votar contra o prosseguimento do processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Isso porque Waldir mudou de voto em cima da hora e a atitude contrariou a orientação nacional do PP, seu partido. Devido à atitude, o deputado foi destituído da presidência do diretório estadual do partido no Maranhão.

Apear das ameaças, Maranhão fez questão de usar ontem o gabinete oficial da presidência da Câmara. Ao chegar pela manhã, Maranhão seguiu diretamente para a sala da presidência, ocupada por Cunha até a noite de quarta-feira (4). O presidente interino usou a sala para receber outros deputados e chegou, inclusive, a sentar na mesma cadeira que o peemedebista costumava usar.

Ao saber do gesto, o primeiro secretário da Mesa Diretora, deputado Beto Mansur (PRB-SP), foi até o gabinete e orientou Maranhão a deixar o local. Disse que o gesto tinha um efeito simbólico muito forte e sugeriu ao deputado do PP que Cunha não tinha gostado. Antes de chegar à Câmara, Mansur esteve com Cunha.

Após o conselho, Waldir Maranhão decidiu deixar a sala e seguiu para seu gabinete de vice-presidente, onde continuou a receber outros deputados. De lá, só saiu para almoçar com outros parlamentares aliados fora da Câmara.

Embora tenha passado o pito no colega, Mansur descartou a realização de nova eleição.

— [Maranhão] foi eleito vice-presidente, vai assumir a presidência da Câmara e vamos procurar ajudar nesse momento. A Casa precisa andar. Waldir Maranhão é deputado como todos os outros. Estamos discutindo a preservação da instituição.

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