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Tropa de Choque tira MST da BR 463

21 Mar 2011 - 22h30
Chegada da Tropa de Choque causou clima tenso ontem na rodovia BR 463 - Crédito: Foto: Hédio Fazan/PROGRESSOChegada da Tropa de Choque causou clima tenso ontem na rodovia BR 463 - Crédito: Foto: Hédio Fazan/PROGRESSO
DOURADOS – A Tropa de Choque da Polícia Militar precisou ser acionada ontem pela manhã, para desmobilizar protesto ocorrido na BR 463 entre Dourados e Ponta Porã. Cerca de 200 manifestantes trancaram a rodovia durante pelo menos seis horas. O congestionamento chegou a atingir quatro quilômetros. Com a chegada de um grupo da Força Tática da PM, houve disparos de bala de borracha. Um manifestante foi atingido. Valter Lanclestine reclamava de fortes dores nas costas e mostrava a cápsula da munição que o atingiu. O grupo não foi capaz de desmontar o protesto e acionou reforço. Duas viaturas da Força Tática, e um ônibus lotado de policiais chegaram e desmobilizaram a manifestação.

Minutos antes o grupo decidiu se reunir para discutir qual a próxima ação do grupo. Os manifestantes cobram a distribuição de cestas básicas e a liberação da Fazenda Paquetá, que tem uma área de 18 mil hectares. Há cerca de 15 dias o grupo fechou a rodovia. De lá para cá não houve avanço nas negociações, segundo a categoria.

A rodovia federal que liga o Mato Grosso do Sul ao Paraguai é uma das mais movimentadas do Estado. De acordo com a coordenadora do movimento, que se identificou como “Pequena”, a condição subumana vivida por 1.200 famílias acampadas às margens da rodovia foi o estopim para a revolta. Segundo ela, há 120 dias o Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) não distribui a cesta básica às famílias. Com isto, mais de 80 crianças de 2 a 14 anos estariam passando fome.

Segundo ela, antes do corte definitivo, a distribuição era irregular. “Sempre faltavam cestas e várias famílias ficavam sem alimento, geralmente nos casos em que o morador não foi encontrado no barraco. Muitos são contratados para serviços temporários nas fazendas próximas. Se não fizerem isto, não conseguem sobreviver”, explicou.

Ela disse ainda que as famílias estão no local desde agosto do ano passado, porque foram informadas pelo Incra que a Fazenda Paquetá estaria em fase de negociação e seria liberada para a reforma agrária. “Nada disso aconteceu. O Incra se omite, não atende o movimento e ficamos sempre sem respostas aos questionamentos”, disse.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Ponta Porã, Orélio Maciel, disse ao jornal O PROGRESSO que a ouvidoria do Incra vai atender o grupo ainda esta semana, motivo pelo qual eles teriam encerrado o protesto. O movimento aconteceu em outras regiões do Estado.

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