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Olhar mais humano, mulher conquista espaço na polícia

08 Mar 2016 - 06h00Por Do G1
Delegada Andreia Alves Pereira, titular do 2° Distrito Policial falou do trabalho das mulheres na polícia. - Crédito: Foto: DivulgaçãoDelegada Andreia Alves Pereira, titular do 2° Distrito Policial falou do trabalho das mulheres na polícia. - Crédito: Foto: Divulgação
Entre as grandes conquistas das mulheres nas décadas recentes, a atuação no mercado de trabalho é inegável. Cada dia mais, mulheres têm mostrado serem tão capazes, ou até melhores, que homens em determinadas funções. Mas, o que dizer das funções policiais? O PROGRESSO conversou com autoridades para saber um pouco mais sobre este universo de combate ao crime, pelo viés das mulheres de fibra.


Entre um inquérito e outro, o olhar mais sensível e humano de uma mulher tem sido arma fundamental nos trabalhos do 2° Distrito Policial. Andreia Alvez Pereira, titular da delegacia, considera que, dentro da instituição Polícia Civil, a mulher não seja, nos dias atuais, considerada parte mais frágil ou diferente, apenas mais sensível na atuação em relação a determinados crimes. "Há uma aceitação normal. Não há preconceito. O trabalho na polícia, considerado de homem pela necessidade de atitude ou força, não impede atuação feminina", disse Andreia.


A diferença, no entanto, segundo a delegada, aparece quando pessoas procuram atendimento e se despem de um certo melindre. "Conforme o tipo de crime, a sensibilização existe e isto contribui significativamente", comenta.


"Por isso digo para as mulheres que sonhem, lutem e conquistem. Afinal, isto é uma mensagem para qualquer pessoa", disse a delegada.


O delegado regional de Polícia Civil de Dourados, Lupersio Degerone, engrossou o coro. Para ele, a cada dia mais a mulher policial solidifica o espaço nas instituições policiais e a sociedade tem aprovado isso. "Inegavelmente, a imagem feminina reflete, aos olhos da população, um lado mais humano na instituição. São profissionais que atuam em situação de igualdade com os policiais masculinos, mas sob alguns aspectos, são mais prudentes, até mais cuidadosas nas atividades", resumiu o delegado.


Na Polícia Militar há 18 anos, a sargento Kelly Rosa de Assunção Serri, tem como aprendizado que, para ser policial, tem de ter coragem e disposição. "A distinção homem/mulher na PM é pouco considerada quando o foco é a atuação. Em geral, aquele que se dispõe, seja no administrativo ou na rua, aquele que tem coragem, vai se destacar. É assim com todo ser humano", comenta.


Para Kelly, talvez o maior desafio ainda seja o ingresso na corporação, já que 5% das vagas são para pessoas do sexo masculino. "Este é o maior desafio. Porque, depois que estamos dentro, é trabalho e dedicação. A gratificação por contribuir em um serviço ‘limpo’ é inestimável", comenta, emendando que "quem gosta do que faz não encontra nada impeditivo".



"Costumo reproduzir o que a Bíblia diz sobre as mulheres quando relata que ‘o valor de uma mulher excede ao de rubis’. Temos um valor inestimável perante Deus e precisamos nos valorizar. Esta é minha mensagem", disse a sargento.


O comandante do 3° Batalhão de Polícia Militar, coronel Carlos Silva, parabenizou as mulheres pela data comemorativa. "As mulheres policiais são heroínas sem capa e espada. Abdicam muitas vezes de estar no seio familiar para combater a criminalidade. Parabéns a todas as mulheres, policiais ou não, que o dia seja de muita alegria e reflexão para que as reais necessidades destas sejam respeitadas", disse.

O crime


Para ambas as entrevistadas, a participação de mulheres nos crimes é por livre e espontânea vontade, salvo poucas exceções. Segundo a delegada Andreia, a utilização do ‘livre arbítrio’ é determinante da participação da mulher em delitos. "Historicamente vítimas de crimes, e muito mais vítima atualmente, as mulheres têm participado, principalmente do tráfico de drogas. Mas, na maioria das vezes porque querem", disse a delegada.


Para a sargento Kelly, a participação de mulheres nos crimes tem aumentado. "No geral aquelas pessoas que buscam algo e não conseguem tentam o crime. Mas a participação masculina é muito maior. O tráfico predomina. É muito difícil ver mulheres praticando crimes mais ‘elaborados’", disse a policial militar.

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