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Mistério

Morte de policiais segue sem solução há 10 anos

01 Abr 2016 - 10h00
Advogado Maurício com o policial Gadani - Crédito: Foto: Hedio FazanAdvogado Maurício com o policial Gadani - Crédito: Foto: Hedio Fazan
Hoje completa dez anos de morte dos policiais civis Rodrigo Lorenzato e Ronilson Bartie, vítimas de uma emboscada ocorrida em 1º de abril de 2006, na região de Porto Cambira, em Dourados. Os réus, seis indígenas, estão soltos e não há prazo de julgamento. Três deles chegaram a cometer outros crimes, posteriormente, foram presos e liberados. As famílias dos policiais sofrem até hoje, principal-mente o policial Emerson Gadani, único sobrevivente do caso.


"Minha vida foi destruída, até hoje faço tratamento psiquiátrico e psicológico, vivo a base de medicamentos. Minha carreira policial foi interrompida e até hoje, nem eu e nem a família do Rodrigo e do Ronilson receberam algum tipo de apoio, de indenização. Enquanto isso os réus continuam soltos, revelando o quanto a impunidade é grande", desabafa Gadani.


Relembrar toda a história, a cena do crime, não é uma tarefa fácil para ele, esfaqueado no abdome e mantido refém por horas nas mãos dos indígenas, enquanto via um dos colegas sangrar até a morte e o outro já sem vida. "A tortura que eu e meus colegas passamos revela tamanha crueldade, ainda assim a justiça é lenta e não toma posição", critica. Os policiais civis mortos foram atingidos com tiros e arma branca.


Claudir Lorenzatto, pai do policial Rodrigo, morto aos 26 anos na época, lembra dos planos do filho, que cursava último ano de Direito. "Era casado, a filha tinha dois anos e até hoje não recebemos assistência. Minha esposa (mãe de Rodrigo) até hoje sofre, toma medicamentos. Nossa família foi destruída e o pior de tudo isso é presenciar a impunidade, de saber que os réus estão soltos", lamenta o pai.


O advogado criminalista Maurício Rasslan faz assistência de acusação dos réus e luta para que o julgamento aconteça em Dourados. O processo está no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), órgão situado na capital paulista e de 2º grau da Justiça Federal dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. "É inadmissível que esse caso seja julgado por magistrados que não conhecem a realidade douradense", diz Maurício.


O caso foi parar no TRF3 após pedido de desaforamento de um antropólogo do Ministério Público da União (MPU), sendo respaldado pelo Ministério Público Federal (MPF) ao alegarem que a população sul-mato-grossense é preconceituosa sobre causa indígena, portanto, o julgamento deve acontecer fora do estado. "Preconceituoso são os órgãos. Sabemos, e é claro, que ocorreu crime, dessa forma os réus devem ser julgados em Dourados, por juiz que conhece a realidade local", acrescenta Maurício Rasslam.


Em janeiro ele esteve em São Paulo onde fez a defesa para que o caso retorne para a comarca douradense. O processo foi discutido pelo Tribunal Pleno da Corte, porém os desembargadores chegaram a conclusão que deveria retornar para uma das 11 turmas que repre-sentam o TRF3. Cada uma delas é composta por três desembargadores. Após a decisão em janeiro, de que uma das turmas deverá julgar o mérito, não se teve mais informações, de quando sairá uma resposta, se o caso voltará ou não para Dourados.


Crimes


No dia do crime, os três policiais civis, à paisana, investigavam um homicídio envolvendo um pastor. Havia informação que o acusado estaria escondido numa chácara, no Porto Cambira. Nesta região indígenas haviam recém ocupado uma fazenda. Os policiais, em serviço, seguiam num veículo descaracterizado pela MS-156 quando avistaram uma mulher deitada ao chão da rodovia. Quando o veículo foi parado, conforme lembra o policial sobrevivente Gadani, vários indígenas aparecerem e iniciou-se um ataque.


O policial Rodrigo morreu a golpes de faca e o policial Ronilson após levar um tiro de espingarda na perna, sangrando até a morte. Gadani levou facada no abdome e foi torturado até ser resgatado depois que um produtor rural que passava pelo local viu a ação e acionou a polícia.

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