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Médicos de MS alertam sobre cirurgias plásticas na Bolívia

15 Jul 2011 - 12h13
Poliana, 19 anos, antes da cirurgia, diz que aprovou
resultado - Crédito: Foto: Arquivo pessoal/Poliana CardosoPoliana, 19 anos, antes da cirurgia, diz que aprovou resultado - Crédito: Foto: Arquivo pessoal/Poliana Cardoso
Preço baixo não pode ser fator determinante para a busca por cirurgias plásticas em países vizinhos, como Bolívia e Paraguai, de acordo com o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul. Segundo o órgão, é preciso buscar referências sobre o profissional escolhido e analisar o local onde será feito o procedimento cirúrgico.

Nesta quinta-feira (14) foi divulgado o caso de uma mulher de 56 anos, de Rondônia, que morreu em Corumbá, a 444 quilômetros de Campo Grande, durante um voo, após passar por cirurgia plástica em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. O G1 conversou com duas mulheres que passaram por procedimento no país vizinho e aprovaram o atendimento.

O conselheiro do CRM-MS, Celso Codorniz, explica que encontrar informações sobre cirurgiões plásticos em outros países é tarefa difícil para brasileiros.

“Primeiro a pessoa tem que se informar se o médico é um cirurgião plástico reconhecido no país dele, saber se é um profissional adequado. Aqui no Brasil é fácil, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) vai saber se ele tem especialização”, diz Codorniz.

Segundo ele, as pessoas se esquecem desses cuidados por vaidade. “Normalmente as pessoas que vão procurar estão preocupadas com estética. O custo é baixo, mas a gente não sabe que tipo de risco que está correndo”, diz o conselheiro. “É outro país e não podemos fiscalizar”, completa.

De acordo com o presidente da SBPC em Mato Grosso do Sul César, Aníbal Benavides, não é possível quantificar o número de pessoas que vão a outros países em busca de cirurgias plásticas de menor preço por conta da forma discreta como viajam e voltam. Contudo, afirma que tem crescido o número de casos em que os pacientes, após procedimentos no exterior, buscam médicos brasileiros para as reparações.

“É difícil analisar um paciente sem saber a técnica que foi utilizada. A gente tenta pedir à paciente para que o cirurgião entre em contato com a gente. É uma questão, do ponto de vista diplomático, bastante delicada”, diz Benavides.

Benavides diz que os pacientes devem estar atentos para os procedimentos pré-operatórios, exames que são feitos para prever qualquer tipo de complicações, que possam surgir durante o procedimento.

Referências

A secretária Rosane Waizemann, 29 anos, moradora da cidade de Vilhena, a 700 quilômetros de Rondônia, fez cirurgia plástica no abdômen em maio, na cidade de Santa Cruz de La Sierra. Antes de programar a viagem, ela já tinha conhecimento do trabalho do médico escolhido e boas referências, apesar de não ter checado a formação e as especializações do cirurgião.

Houve, segundo ela, muita resistência por parte da família em aceitar a ideia de ser operada em outro país. “Todo mundo tinha uma história ruim para contar, mas ao contrário do que as pessoas falam, achei o lugar é melhor do que o atendimento que a gente tem no Brasil”, avalia.

Para Rosane, a competência do médico ficou clara diante da exigência dos exames pré-operatórios. “A minha imunidade estava baixa e ele não fez a cirurgia, pediu dois dias. Fiquei gripada nesse tempo. Voltei e ele não quis fazer enquanto eu não melhorasse”, conta a secretária.

A estudante Poliana Cardoso, 19 anos, que também mora em Vilhena, já passou por cirurgia plástica no Brasil há algum tempo. A segunda já foi na Bolívia, de onde voltou na madrugada desta quinta-feira (14). No país vizinho, se submeteu a uma hidrolipoaspiração no abdômen e implante de próteses nos seios.

“A primeira (no Brasil) eu não gostei. Além da médica ter tirado muita gordura, deixou nódulos, a barriga ficou deformada. Já o atendimento é parecido nos dois países, só que lá eles dão mais atenção. Aqui [Brasil] eu nem fiquei em observação. Lá foram duas horas com uma enfermeira o tempo todo do meu lado”, conta a estudante.

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