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Máfia dos consignados leva Júnior Teixeira e Sidlei Alves para atrás das grades

29 Abr 2011 - 07h21
Máfia dos consignados leva Júnior Teixeira e Sidlei Alves para atrás das grades - Crédito: Foto: reprodução Crédito: Foto: reprodução
Valéria Araújo e Marli Lange



Operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) mandou prender os ex-vereadores Sidlei Alves e Humberto Teixeira Júnior, além do ex-assessor parlamentar Rodrigo Terra e diretor financeiro da Câmara Amilton Salina. A Polícia chegou na casa deles, por volta das 7h desta sexta-feira. Eles devem ser presos e encaminhados para a sede do Gaeco em Dourados, posteriormente devem seguir para a Cadeia Pública. Cerca de 8 mandados de busca e apreensão estão previstos. Um deles é na Câmara de Vereadores.

Segundo denúncia do Gaeco, eles são acusados de participar da Máfia dos Consignados, esquema criminoso que desviava dinheiro dos cofres públicos da Câmara Municipal, através de consignados, feitos por funcionários comissionados e que na maior parte das vezes seriam \"fantasmas\".


Segundo a denúncia do serviço de Inteligência do Gaeco, o esquema criminoso funcionava da seguinte forma: pessoas eram nomeadas pelo vereador Sidlei Alves, então presidente da Câmara, para atuarem como servidores públicos. O obje-tivo era que elas realizassem consignados, cuja o dinheiro iria para a organização criminosa, supostamente chefiada por Humberto Teixeira Júnior, segundo a denúncia entregue à Justiça.

Conforme ainda a denúncia do Gaeco, um funcionário da Câmara Municipal era o responsável pela falsificação de holerites dos novos servidores. Em tese, se estas pessoas teriam um salário de R$ 1.080, a Câmara atestava salário de pelo menos R$ 5 mil. O objetivo era de conseguir empréstimos maiores no Banco, que poderiam chegar a pelo menos R$ 35 mil.

Em troca do empréstimo que supostamente iria para as mãos dos vereadores acusados, os contratados recebiam a ga-rantia que jamais teriam que pagar pelo empréstimo que estava no nome deles, além de um cargo na Câmara, cuja a pre-sença deles não precisaria ser comprovada. Por mês, estes servidores recebiam em média R$ 1 mil; dinheiro que supos-tamente saia dos cofres públicos.

Conforme o Gaeco, alguns dos servidores recebiam por fora, dinheiro supostamente pago pelos vereadores envolvi-dos. Isto porque o holerite, que eles jamais assinavam davam conta de um salário de pouco mais de R$ 1 mil, com des-conto equivalente; ou seja, eles não recebiam nada de salário devido aos descontos do consignado. Rodrigo Terra, segundo denúncias é apontado como articulador destas contratações e consignados.

Os envolvidos estão sendo denunciados pelos crimes de peculato, formação de quadrilha e crime organizado. Desvios de recursos da União também estão sendo investigados. Apesar do esquema ser supostamente antigo, o Gaeco teria reunido provas entre janeiro de 2009 e setembro de 2010, com o apoio de servidores que denunciaram o esquema. Neste período, ao menos seis empréstimos ilegais foram comprovados. O MPE conseguiu comprovar até agora um prejuizo na ordem de ordem de R$ 160 mil.

##### DENÚNCIA

As investigações no Ministério Público Estadual começaram após a denúncia de um ex-funcionário da Câmara, que servia o vereador Júnior Teixeira. Ele fez a gravação de um dos seus diálogos com o vereador pouco antes das eleições para presidente, senadores e deputados. Na gravação Júnior Teixeira confessa que se beneficiou do consignado e que o funcionário só foi admitido pela Câmara, exclusivamente, para ele obter o consignado. Uma gravação deste diálogo foi entregue ao Jornal O PROGRESSO pelo ex-funcionário de Junior Teixeira.

Em um trecho do diálogo, Teixeira cita claramente o envolvimento de toda a Mesa Diretora da Câmara no esquema de consignados e que “todos” os vereadores tinham consigados em nome de funcionários: “Todos os vereadores têm, uns mais outros menos, mas todos têm”, diz Teixeira. Em outro trecho ele diz: “Então sentamos com a Mesa Diretora para dar uma solução. Quem tem funcionário que está a mais de 30% acima da margem exonera e coloca outro no lugar para pegar o cheque do salário e pagar o consignado”, disse ele na gravação.
Até então, conforme a gravação, a preocupação do Júnior Teixeira seria eliminar provas, caso houvesse uma investigação das autoridades com relação ao esquema de consignados.

O ex-funcionário ainda acusa de Júnior Teixeira de ter ficado com toda a sua indenização da Câmara quando foi exonerado. Ao questionar Teixeira, este teria dito, que “ele recebia por fora, e que a nomeação dele na Câmara foi exclusi-vamente para ele obter o consignado”. Só no nome do ex-funcionário, Júnior Teixeira teria feito três consignados; dois no nome dele e mais um no da esposa. Os três juntos somam algo em torno de R$ 82 mil. Como as prestações dos con-signados começaram a atrasar, o ex-funcionário foi atrás de Junior Teixeira na Câmara para cobrar uma solução, já que o banco começou a pressioná-lo.

Junior teixeira foi teve o mandato cassado por envolvimento na Operação Uragano, que resultou em sua prisão em 1º de setembro de 2010. Já Sidlei Alves renunciou a presidência da Câmara e logo após o mandato ainda na prisão. Os dois foram libertados da prisão no final do ano passado, após cerca de 90 dias atrás das grades. Sidlei também é acusado de desviou de dinheiro público na Operação Uragano.

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