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Ex-Deputado

Giroto é preso novamente na 3ª fase da Operação da Lama Asfáltica da PF

07 Jul 2016 - 19h08
Marcos Mass e Adalgisa Fujita, da Receita Federal; delegado Cléo Mazzotti, da Polícia Federal e José Paulo Barbieri. - Crédito: Foto: Elvio LopesMarcos Mass e Adalgisa Fujita, da Receita Federal; delegado Cléo Mazzotti, da Polícia Federal e José Paulo Barbieri. - Crédito: Foto: Elvio Lopes
O ex-deputado federal Edson Giroto, que também foi titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura no governo anterior, foi preso na manhã de ontem, na Operação Aviões de Lama, a terceira fase da Operação Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal, em parceria com a Controladoria Geral da União (CG) e Receita Federal em Mato Grosso do Sul, juntamente com seu cunhado Flávio Henrique Garcia Scrochio, acusados de venderem aeronaves de propriedade da organização criminosa para pulverizar o patrimônio formado por desvio de dinheiro público, cujos contratos em investigação chegam a R$ 2 bilhões. O terceiro acusado, João Krampe Amorim dos Santos, estava viajando e a Polícia Federal estava negociando sua apresentação.


A coletiva para explicar esta nova fase da Lama Asfáltica contou com a participação do delegado Regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti; do superintendente da Controladoria Geral da União (CG), José Paulo Barbieri; da superintendente-adjunto da Receita Federal em Campo Grande, Adalgisa Fujita e do chefe de fiscalização da Receita Federal, Marcos Mas, que explicaram as razões das novas prisões e o desdobramento da terceira fase da operação.


Segundo Mazzotti, a organização criminosa estava atuando de forma a pulverizar o patrimônio agregado com o desvio de dinheiro público e, nesta fase da investigação foi apurado que uma aeronave de propriedade de uma empresa em que figura como sócio João Amorim, foi vendida antes da deflagração da Operação Fazendas de Lama, por R$ 2 milhões, com o recebimento de R$ 500 mil à vista; como parte um outro avião, de menor porte, por R$ 350 mil e um cheque no valor de R$ 250 mil e outros três cheques no valor de R$ 100 mil cada e negociado o restante do pagamento.


O delegado explicou que a venda dessa aeronave, que ontem estava em poder de terceiro em Mato Grosso, foi um meio da organização criminosa de dilapidar o seu patrimônio e introduzir o dinheiro arrecadado por meio ilícito no mercado formal, sem deixar rastros e sem pagar impostos. Os policiais federais e integrantes da CGU e Receita Federal chegaram a essa negociação analisando os documentos apreendidos na Operação Fazenda de Lamas.


O avião de menor porte, que fez parte da negociação para a venda do maior, foi apreendido na manhã de ontem no Aeroporto Santa Maria e o outro estava sendo localizado pela PF em uma cidade do interior de Mato Grosso. A aeronave teria sido disponibilizada por Amorim a Giroto, que negociou sua venda com o atual proprietário.


Adalgisa Fujita explicou que, em cinco anos de investigações, que resultaram em nove fiscalizações de atos dessa organização criminosa, a Receita Federal apurou que foram deixados de recolher à União no valor de R$ 20 milhões, que se constituem em previsão de crédito com o arresto de bens da quadrilha.


Segundo Barbieri, da CGU, foram realizados o rastreamento dos cheques criminosa e documentos que comprovaram a dilapidação do patrimônio com negociações em dinheiro vivo, pulverizados em menor valor. A investigação comprovou também que o grupo recebeu, no período, R$ 700 mil pela execução de obras.


A PF reforçou ontem que a organização criminosa vinha atuando no desvio de recursos públicos, inclusive federais, no setor de pavimentação asfáltica de rodovias, construções, prestação de serviços nas áreas de informática e gráfica. Os contratos sob investigação envolvem mais de R$ 2 bilhões.


As prisões preventivas de Giroto, Edson Amorim e Flávio Scrochio foram decretadas pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande e os dois presos estavam aguardando vagas em um presídio da Capital para serem transferidos. Caso não se apresentasse, João Amorim seria considerado foragido da Justiça.

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