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Ex-vereadores são transferidos para Penitenciária Harry Amorim

05 Mai 2011 - 22h46
Ex-vereadores completariam hoje uma semana de prisão no 1º Distrito Policial - Crédito: Foto: Hédio Fazan/arq.Ex-vereadores completariam hoje uma semana de prisão no 1º Distrito Policial - Crédito: Foto: Hédio Fazan/arq.
DOURADOS – A Justiça autorizou na tarde de ontem o pedido de transferência dos ex-vereadores Sidlei Alves e Humberto Teixeira Júnior que estavam nas celas do 1º Distrito Policial de Dourados, para o Presídio de Segurança Máxima Harry Amorim Costa (Phac). Outros cinco presos também foram transferidos. Os ex-vereadores foram presos na última sexta-feira, durante a Operação Câmara Secreta, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Hoje completaria uma semana de prisão dos ex-vereadores, no 1ºDP. A escolta dos sete presos aconteceu no final da tarde ontem.

O advogado Márcio Fortini, que acompanhou os dois durante a prisão, explicou que a transferência dos ex-vereadores ocorreu de forma rotineira. “Toda semana é feito o pedido de transferência de presos, para a Phac, ao juiz titular da Vara de Execução Penal. As celas da delegacia não comportam muitos presos, além de não ser permitido banho de sol e nem visitas íntimas”, ressaltou o advogado.

Sidlei Alves e Humberto Teixeira Júnior, aguardam decisão judicial sobre o pedido de relaxamento de prisão.

Os advogados de defesa Airton Stroppa Garcia e João Arnar Ribeiro ingressaram com o recurso no Tribunal de Justiça no último dia 3. Como é de praxe, o processo foi distribuído e está nas mãos do Ministério Público Estadual para avaliação e deve ser entregue ao judiciário depois de expedido o parecer.

Eles foram presos junto com os ex-assessores parlamentares Amilton Salina e Rodrigo Terra. Amilton já responde o processo em liberdade e Rodrigo Terra está internado em tratamentos cardíacos, mas continua preso, inclusive escoltado pela polícia.

GRAVAÇÕES

As investigações no MPE, contra os ex-vereadores, começaram após denúncia de um ex-funcionário da Câmara, que servia o vereador Júnior Teixeira. Ele fez a gravação de um dos seus diálogos com o vereador pouco antes das eleições para presidente, senadores e deputados.

Na gravação Júnior Teixeira confessa que se beneficiou do consignado e que o funcionário só foi admitido pela Câmara, exclusivamente, para ele obter o consignado.

A reportagem de O PROGRESSO teve acesso com exclusividade as gravações, que foram entregue por um ex-funcionário da Câmara, que hoje está sob proteção policial.

Em um trecho do diálogo, Teixeira cita claramente o envolvimento de toda a Mesa Diretora da Câmara no esquema de consignados e que “todos” os vereadores tinham consignados em nome de funcionários: “Todos os vereadores têm, uns mais outros menos, mas todos têm”, diz Teixeira na gravação.

Em outro trecho ele diz: “Então sentamos com a Mesa Diretora para dar uma solução. Quem tem funcionário que está a mais de 30% acima da margem exonera e coloca outro no lugar para pegar o cheque do salário e pagar o consignado”, disse ele na gravação.

Até então, conforme a gravação, a preocupação do Júnior Teixeira seria eliminar provas, caso houvesse uma investigação das autoridades com relação ao esquema de consignados.

O ex-funcionário ainda acusa Júnior Teixeira de ter ficado com toda a sua indenização da Câmara quando foi exonerado. Ao questionar Teixeira, este teria dito, que “ele recebia por fora, e que a nomeação dele na Câmara foi exclusivamente para ele obter o consignado”.

Só no nome do ex-funcionário, Júnior Teixeira teria feito três consignados; dois no nome dele e mais um no da esposa. Os três juntos somam algo em torno de R$ 82 mil. Como as prestações dos consignados começaram a atrasar, o ex-funcionário foi atrás de Júnior Teixeira na Câmara para cobrar uma solução, já que o banco começou a pressioná-lo.

Júnior Teixeira teve o mandato cassado por envolvimento na Operação Uragano, que resultou em sua prisão em 1º de setembro de 2010.

Já Sidlei Alves renunciou a presidência da Câmara e logo após o mandato ainda na prisão. Os dois foram libertados da prisão no final do ano passado, após cerca de 90 dias atrás das grades. Sidlei também é acusado de desviar dinheiro público na Operação Uragano.

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