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Opinião

Uma Igreja acolhedora e profética

29 Jun 2011 - 10h33
Estes dois conceitos foram muito usados na Igreja nas últimas décadas, por uma grande parcela da mesma. São conceitos que nunca poderão ser esquecidos, muito menos, mal interpretados, pois estão no cerne da Instituição desde os primeiros cristãos.

Os tempos impuseram à Igreja, iluminada pelo Espírito, uma capacidade de inculturação – sem com isso perder sua essência. No entanto, não poucas vezes ela foi empurrada por sistemas e ideologias, e por adesão impensada de alguns de seus membros, para defesas – de boa fé, mas sem fundamentos evangélicos, de ideias nada cristãs.

Com o cognome acolhedora, alguns de seus filhos interpretaram fazer tudo a revelia, esquecendo o patrimônio doutrinal presenteado ao longo de seus XX séculos. Os verdadeiros conceitos do Evangelho, foram usados ao acaso num verdadeiro “lavar as mãos” ou “fechar os olhos” para os erros doutrinais, sem libertar a pessoa para a prática do amor vivido pelo Cristo.

O profetismo de Jesus nunca foi o profetismo de Judas Iscariotes, baseado nas revoluções armadas ou filosoficamente falando, pautado no maniqueísmo, onde tudo provém da luta entre o bem e o mal, com isto não negamos – a esfera espiritual ou antagonismo das duas forças, mas que de modo descabido foi transposto para o terreno vivencial humano, através da luta de classe, caracterizado por um esquerdismo maquiado de “versão profética”.

Movendo-se nestas esferas, por outro lado, foi surgindo um saudosismo antigo de uma Igreja montada nas estruturas, com cara de cristandade, mas na mesma linha política da esquerda e direita, que quis afastá-la do verdadeiro profetismo ou da verdadeira acolhida.

Aqueles que optaram por pensar diferente dos dois estereotípicos foram apelidados no dito popular de, “em cima do muro”. Estes modelos não surgiram por acaso e não representa o pensamento eclesial, mas são fruto das escolhas e das percepções das quais todos estamos sujeitos.

Hoje, por sua vez, quando a Igreja - graças a Deus, não tem aquela influência política de antes, mas tem outras: na linha das ideias e propostas, onde a figura do ministro ordenado não representa a última palavra só por causa do sacramento da ordem, mas sim, pela consonância com a doutrina e testemunho, vivemos um momento ideal para fazer surgir ou ressurgir – inculturada – nos nossos tempos a Igreja acolhedora dos primeiros séculos, desprovida de poder, mas cheia de vigor e “paixão” pelo Reino de Deus, encarnada na pessoa de Jesus Cristo.


Não há como negar a necessidade de um recriar do profetismo, onde doutrina e direitos dos mais fracos não sejam esquecidos nunca, mas que esta defesa não negue os princípios básicos do depósito da fé, tesouro confiado à Igreja ao longo dos séculos, pois profetizar e defender os direitos dos mais fracos não pode ser empurrá-los para concepções erradas oriundas da pós-modernidade.

Uma Igreja acolhedora e profética, inculturada no momento histórico da humanidade, não pode esquecer a concepção paulina do “estar no mundo, sem ser do mundo”, viver no mundo, mas tendo como meta a salvação da pessoa. Para tanto, ela tem necessidade de ser aberta e promotora da misericórdia, acolhendo todos os seus filhos, denunciando as injustiças que os afligem, mas não lhes negando a verdade do Evangelho, verdade esta colocada em cheque por muitos grupos, através dos quais a própria Palavra de Deus é contestada.

Não poderá ser profeta se também estiver presa a concepções políticos partidárias limitadas pelas suas ideologias transitórias, que negam a própria verdade do fim último humano.


Pároco da Paróquia Cristo Rei Laguna Carapã-MS

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