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Opinião

Uma crise para evoluir

01 Dez 2015 - 08h27
Vivemos um momento de crise, mas não falo apenas de uma crise econômica.  Há também uma crise política e uma evidente crise de valores e de hábitos.  Para falar só de Brasil, a falta de ética e a cultura do jeitinho
brasileiro vêm sendo contestadas em diversas vozes de nossas redes sociais e de papos entre amigos.

A cultura brasileira de reclamar e apontar o dedo para o outro, buscando os erros alheios sem nada fazer, está sendo questionada fortemente.  Reclamação sem participação já soa como hipocrisia, afinal, quem é a sociedade (tão criticada) senão o conjunto de nós mesmos?  A máxima do “seja a mudança que você quer no mundo” anda em alta.

A dificuldade de muitos para essa revolução é explicada - mas não justificada! - pelo costume de uma acomodação tipicamente brasileira, que todos nós conhecemos bem e que muitas vezes se camufla, tendenciosamente, como pacifismo.  Quem nunca reprovou no seu íntimo ou mesmo explicitamente um cidadão reivindicando seus direitos?  “Que sujeito chato esse que trava a fila do mercado por conta de um preço errado ou alguma falta de cumprimento da lei a seu favor” – pensamos algumas vezes, certo?  Errado.

Ou quando se está em um hospital, o atendimento está atrasado e alguém pede para que seja respeitado o horário previamente marcado.  Mas ele não pode se indignar.  Afinal, estamos (mal) acostumados com os atrasos, com as perdas, com os roubos, com a corrupção. Em vez de todos apoiarem o gesto e saírem vencedores juntos, há a reprovação da atitude.  Isso precisa ser transformado.  Precisamos aprender a lutar por nossos direitos, sem, com isso, deixarmos de ser pacíficos.  Uma coisa não exclui a outra.  Acomodação e passividade não são sinônimas de pacifismo. Será que estamos prontos para fazer a nossa parte?
Fazer a nossa parte não é apenas lutarmos pela garantia de nossos diretos, mas cumprirmos também com nossos deveres, deveres de cidadão. É jogar lixo no lixo, não poluir, respeitar diferenças, ser solidário, pensar coletivamente; no exercício da verdadeira cidadania.

Estamos na crise do crescimento moral e ético, quando se contestam valores, pensamentos; atos comuns até então.  É a lâmpada que se acendeu na despensa, antes escura, onde não se viam as sujeiras entre os guardados - li outro dia.  Antes parecia tão mais limpo, mas é que a lâmpada era fraca. Que bom que agora podemos enxergar melhor.  Há quem prefira a volta de uma lâmpada mais fraca, assim não veríamos a sujeira e seria o mesmo que estar limpo, afinal, o que os olhos não veem o coração não deveria sentir.  Mas sente sim, e muito.  Há muito tempo.  Aquele sentimento que não entendemos bem, uma sensação de solidão em meio à multidão, sensação de abandono, de sermos usurpados diariamente em nossos direitos. A cultura do individualismo, amiga do egoísmo, que vinha sendo apreciada e disseminada já está sendo vista com outros olhos. Já há um despertar para a verdade de que juntos formamos uma unidade, já que vivemos de forma social. 

Neste momento de crise, há que se pensar nas oportunidades.  Falo aqui da oportunidade de olharmos para nós com disposição e coragem para mudar e nos tornarmos, de fato, pessoas melhores. Por um mundo melhor.  Sem essa honestidade para conosco mesmos, torna-se impossível qualquer mudança real. É a oportunidade de uma nova tomada de consciência.  E podemos aproveitar para evoluir como sociedade.

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