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Luiz Taques

Um dedo-duro chamado Delcídio do Amaral

25 Mai 2016 - 06h00
O município de Corumbá já teve três senadores da República: Paulino Lopes da Costa, José Fragelli e Delcídio do Amaral. Mas apenas um deles, no entanto, virou manchete de jornal por conta do possível envolvimento no desvio de dinheiro público: Delcídio do Amaral.


O pecuarista Paulino Lopes era suplente de Fernando Corrêa da Costa. Com a eleição do médico Fernando Corrêa para o governo do então Mato Grosso uno, Lopes da Costa assumiu a vaga de senador. José Fragelli chegou a ser presidente do Congresso Nacional e, nessa condição, temporariamente, ocupou a Presidência da República.


Delcídio ambicionava ser governador de Mato Grosso do Sul. Porém, para alcançar esse objetivo, ele não encontrava espaço em seu partido, o PSDB. Com a chegada do PT ao poder local em 1999, ele, um corumbaense oportunista, troca o PSDB pelo PT. Torna-se secretário de Obras no governo de Zeca do PT e, posteriormente, elege-se senador da República (e se reelege, na sequência).


Por duas vezes, lança-se candidato a governador e sai derrotado de ambas as disputas. Antes disso, ele foi ministro de Minas e Energia do governo Itamar Franco. Ainda que no apagar das luzes, é bem verdade. No livro-reportagem "Crônica de uma grande farsa", lançado em 2013 pela editora Kan, eu e o talentoso repórter José Maschio já mostrávamos que Delcídio era um político de conduta duvidosa.


Daí que não foi novidade para nós vê-lo aparecer nos noticiários como dedo-duro de um suposto esquema criminoso. Esquema criminoso milionário do qual ele teria feito parte e que muitos formadores de opinião parecem esquecer-se de mencionar e de questionar isso em suas falas e textos. Será que eles têm a convicção de que Delcídio é o mocinho dessa Operação Lava Jato? A sociedade tem visto Delcídio apontar o dedo para revelar que tais e tais pessoas receberam dinheiro de propina. É preciso investigar e punir quem ele dedurou. Mas é fundamental que se puna também o dedo-duro. Diante do exposto, queremos saber onde está o dinheiro proveniente de propina que supostamente Delcídio embolsou e que, até o momento, não o escutamos falar que irá devolvê-lo aos cofres públicos.


Ah, sobre Delcídio do Amaral, num artigo publicado no jornal Correio do Estado, em novembro de 2015, o senhor Antônio João Hugo Rodrigues garantia: "... é um homem de muitos milhões de dólares. No exterior. Cerveró e os diretores de empreiteiras que o digam. No Brasil, dá pinta de que pouco tem."
Esses milhões de dólares estariam, então, no Panamá ou na Suíça?


Antônio João devia saber o que estava dizendo: ele foi suplente de senador de Delcídio (de 2002 a 2010). E além do mais, como um dos donos do Correio do Estado, Antônio João é um dos sujeitos mais bem informados de Mato Grosso do Sul.


Pois é, a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e o Judiciário precisam nos dizer o destino que Delcídio teria dado ao suposto dinheiro desviado da Petrobras, principalmente. O montante da grana que lhe coube, obviamente. Cobro essa explicação porque, em Corumbá, sua terra natal, Delcídio está sendo considerado herói nacional. É que, com a sua delação, ele conseguiu complicar a vida de uma presidente honrada. E democraticamente eleita pelo voto popular. Só lhe falta virar nome de algum órgão público. Igual acontecera com a sua parentada. O avô materno, e que também se chamava Delcídio do Amaral, batiza uma escola municipal. Essa escola fica à avenida Rio Branco, quase ao lado da Universidade Federal/Campus Pantanal. O centro de convenções da cidade leva o nome de outro consanguíneo ilustre de Delcídio: Miguel Gomez. Que vem a ser o seu pai.


A rodovia que liga Corumbá, no Brasil, à fronteira da Bolívia chama-se Ramon Gomez. O batismo é em homenagem ao avô paterno de Delcídio. Do jeito que o ex-petista anda sendo endeusado, não é de se estranhar se aparecer um maluco ou alguém com o rabo preso a Delcídio querendo batizar o trecho urbano do rio Paraguai, em Corumbá, com o nome dele. Afinal, currículo Delcídio teria de sobra para receber essa grandiosa homenagem. Pois ele foi o primeiro senador brasileiro a ser preso em flagrante, acusado de obstrução da justiça, em pleno exercício do mandato. E depois, por causa disso, ser cassado pelo plenário do Senado Federal. Por unanimidade.


Jornalista em Londrina, PR. e-mail: [email protected]

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