Dourados – MS sexta, 03 de julho de 2020
Dourados
20º max
min
Opinião

S.O.S. Professor(a)

14 Dez 2015 - 10h18
André Geraldo Berezuk


Muito frequentemente observo notícias em sites, notícias estas que não são agradáveis, tais como: “aluna espanca professora dentro da sala de aula”, ou “professor e aluno se envolvem em briga jogando cadeiras”, ou “aluno agride professora com canetadas”. Notícias enojantes e preocupantes, reflexo de uma nação que, em verdade, há algumas décadas, não valoriza os professores(as). Realidade de um país em que leis e diretrizes educacionais preservam demasiadamente o aluno e humilham a autoridade e o respeito próprio do profissional educador. O professor(a) de ensino médio e fundamental é “jogado” em uma sala precária com cinquenta alunos, ou mais, que pouco sabem sobre educação e respeito, pois geralmente possuem uma educação precaríssima dos pais. Estes, por sua vez, consideram os seus filhos como seres perfeitos. O pior de todos os aspectos é a dura realidade na qual as leis e as normas não protegem o professor, deixando-o, diversas vezes, em uma situação muito delicada, muitas vezes sendo agredido no próprio exercício do dever.


Outra notícia enojante (por causa dos resultados apresentados, não pela notícia que diz uma realidade) foram os resultados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para com a população estudantil brasileira, nos quais: 76% dos jovens de 20 a 24 anos não estudam, e apenas 15% dos adultos, entre 25 a 36 anos, conseguem o diploma de ensino superior. Estes dados vergonhosos condenam definitivamente o Brasil a uma posição de país coadjuvante no cenário internacional. Estes dados revelam os problemas crônicos da educação brasileira, que começam com a total falta de consideração pelo profissional educador, profissional este com a sua autoridade e autoestima destruídos por uma filosofia hipócrita de educação. Neste contexto, o educador acaba sendo totalmente subserviente às normas do mercado e aos alunos (leia-se consumidores). Estes alunos, considerados como consumidores, são elementos que o próprio mercado e o Estado desejam construir e manter. É necessária uma mudança nas leis para uma recuperação da autoridade do educador.


Enganam-se totalmente os que pensam que o progresso e o desenvolvimento virão com as sacas de soja e de café, pois o Brasil já as exporta há mais de 400 anos, e a figura do Brasil subdesenvolvido e desigual persiste. Enganam-se aqueles que acreditam que o ganho de capital, pura e simplesmente, se configura como a fonte de todas as boas perspectivas. A solução para toda e qualquer nação mundial, que visa o desenvolvimento em todos os seus sentidos, é através da educação de seus cidadãos, a começar por uma revalorização imediata da figura do profissional educador(a). O professor(a) necessita, portanto, de melhores condições de trabalho, e de uma mais adequada estrutura legal jurídica, para poder melhor desempenhar o seu papel de ensinar, de avaliar e de educar. É um absurdo que centenas de casos de agressão ao professor(a) ocorram em todo o território nacional, onde estes são agredidos fisicamente e psicologicamente e, quando se defendem de tais agressões, podem ser sentenciados à prisão, porque enfrentam um sistema em que se protege demasiadamente o aluno e se abandona o educador.


Diante de tal situação de grave opressão ainda convém ressaltar a existência de projetos de lei que querem sentenciar toda e qualquer forma de disseminação ideológica na escola. Enquanto isso, existem todos os tipos de redes sociais onde se veiculam todos os tipos possíveis e imagináveis de ideologias. Por que se quer amordaçar ainda mais o professor(a)? Em uma sociedade democrática e defensora da liberdade de expressão, por que existe esta opressão surreal que os professores brasileiros passam há décadas? Quais são os grupos que ganham com a opressão da classe educadora? Obviamente, não é a maior parcela do povo brasileiro, sendo que esta não conhece o próprio tamanho de sua chaga, mas sente a sua dor.

Professor do Curso de Geografia – FCH/UFGD. e-mail: [email protected]

Deixe seu Comentário