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Opinião

Realidade do Enem

03 Fev 2016 - 09h55
Luiz Gonzaga Bertelli


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) surgiu em 1998 com o objetivo de avaliar o desempenho de alunos do ciclo básico. Aos poucos o exame foi ganhando outro caráter. Hoje é utilizado como exame vestibular, configurando-se no principal mecanismo para o ingresso de estudantes em cursos superiores. Neste ano, o Enem contou com sete milhões de candidatos e é considerada a segunda maior avaliação do mundo, perdendo apenas para o exame Gaokao, realizado na China, que teve nove milhões de estudantes na última edição.


Os resultados nos últimos anos demonstram que a crise brasileira não é só na área econômica e política, mas persiste no setor educacional. De acordo com os resultados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o desempenho dos alunos no Enem 2015 caiu em relação à avaliação anterior. A queda deu-se nas médias obtidas pelos estudantes em três das quatro provas objetivas. Em ciências da natureza, caiu de 482,2 para 478,8; em linguagens e códigos, de 507,9 para 505,3 e em matemática, de 473,5 para 467,9. A única média que subiu foi nas provas de ciências humanas, que passou de 546,5 para 558,1.


Por mais que existam variações de uma prova para outra, o fato é que a educação precisa urgentemente emergir dessa estagnação. É necessário que se aplique uma verdadeira revolução no ensino com o objetivo claro de melhorar a qualidade dos nossos estudantes. Para isso, é preciso mexer na grade curricular, modernizando-a, de acordo com as necessidades que o jovem vai encontrar pela vida. Hoje são poucos os cursos que preparam o estudante para o mercado de trabalho, não só em termos técnicos como até mesmo em postura comportamental.


Com 52 anos de existência, desde o início o CIEE já tinha identificado esse gap entre o ensino e a realidade do mundo do trabalho, que buscou atenuar introduzindo no país a prática do estágio. Foi por esse mecanismo que mais de 15 milhões de jovens foram encaminhados para o mercado de trabalho, adquirindo experiência prática da profissão escolhida. É com esse mesmo desejo que jovens se multiplicam no banco de dados do CIEE em busca de oportunidades de capacitação em empresas, entidades filantrópicas e órgãos públicos.


O programa Aprendiz Legal também surgiu para contribuir com a formação profissional de nossos jovens, principalmente aqueles que vivem em áreas de vulnerabilidade social. Para isso, o programa fomenta uma formação profissional que destaca o protagonismo dos jovens e sua relação com a cidadania.


Se o Enem é importante para democratizar o ensino, levando oportunidades iguais aos jovens para competir por uma vaga na universidade, grande parte delas públicas, seus resultados também demonstram a necessidade de investir cada vez mais na formação dos alunos, desde a educação básica, lá no pré-primário, passando pelos ensinos fundamental e médio. Só dessa forma alcançaremos resultados melhores e mais sustentáveis, o que levará a uma posição mais destacada do Brasil nas avaliações nacionais e internacionais de desempenho. Jovens mais preparados podem transformar o Brasil, levando-o novamente a competir com as grandes potências mundiais no mercado globalizado.


Presidente Executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp. e-mail: [email protected]

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