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Opinião

Psicologia e iluminação

23 Fev 2016 - 10h28
Luiz Tadeu M. de Oliveira

O objetivo dessas reflexões é compartilhar com o leitor a respeito de como pode-se atingir a iluminação no momento presente, no aqui-e-agora.


Para tanto, faz-se necessário colocarmos como parâmetro conceitual o que iremos entender como “iluminação”.
Iluminação é a habilidade humana a ser desenvolvida para usufruir do melhor de si. Você pode e deve perguntar, mas, como usufruir do melhor de mim e o que é o “melhor de mim”...


Bem, para o indivíduo acessar essa fonte de iluminação, há que se refletir em como se pensa, sente, age e onde, com quem e quando você aprendeu a ser o que considera “você”, e após, qual área de minha vida está comprometida e quero mudar (eu – eu, eu-outro, eu-dor, eu-prazer, eu-moral, eu-trabalho, eu-sexo, eu-corpo etc).


Será que esse “você” é você mesmo, ou é fruto de um processo cultural, familiar, religioso e educacional que foi-se impregnando em você? Será que você está vivendo no “piloto automático”, sem ter a noção de que muitas situações desagradáveis, relações vividas são consequências de que tua existência foi e está sendo terceirizada a esse tal de “ego”.


Quero colocar algumas reflexões a respeito do ego, fazendo-as minhas do psiquiatra, gestalt-terapeuta Cláudio Naranjo.


Naranjo enfatiza que o ego é como um usurpador que assumiu o controle da psique, é o controle do todo por uma das partes, uma ilha dentro da psique, que pretende ser o todo e se autodenomina “eu”, colocando regime de tirania interior implícita. Outro aspecto do ego é a inconsciência ativa: se a parte rege o todo, o faz com repressão, bloqueando a tomada de consciência e interferir no impulso do fluir. A inconsciência fragmenta a personalidade separando-a do todo, inibindo sensações corporais completas, consciência emocional e conhecimento direto da experiência de pensar. Obscurece a percepção e a fragmenta, como também perda de sentido e valor.


Não dá margem ao pensar no mistério da existência. Chamado de falso-eu, não é a plenitude de nosso ser, contém a experiência mais ou menos velada de uma carência de ser e também uma sede de ser. Tem um ser aparente, é personalidade aparente, enquanto formos o ego, estaremos apenas tentando ser, desejando ser.


Temos vontade de estar mais vivos, de sentir plenos, e são estes desejos que nos impelem a fazer a maior parte do que fazemos. Vive-se na sede de ser e na ameaça de não-ser vêm a ânsia, ira e a necessidade de manter as coisas sempre do lado de fora. O sangue nas veias do ego é essa ânsia, essa sede. O sangue nas veias do ser, da alma, do autêntico ser, a essência da condição iluminada é a abundância, o que vem ser o mesmo que o amor.


Como se constrói o amor a si mesmo?


Primeira fase: Na dimensão cognitiva, do pensar da consciência, concentre-se no melhor de si, resgate os seus recursos internos (experiência de superação de dores passadas, hobbies, lazeres, conhecimento acadêmico, tudo que lhe traz sensação agradável, rede amigos, espiritualidade, colheita de crescimento, e enfim, as convicções mais íntimas ai dentro, que você até morreria por elas).


Segunda fase: ainda na dimensão cognitiva, agora escolha algo para fazer, a ser impregnado com tua presença no dia de hoje como estudar, trabalhar, andar, namorar, isto é, qualquer ação envolvendo coisas, pessoas.
Terceira fase: Na dimensão motora ou conação. Faça. Realize o que é prioritário elencado na fase dois, mas faça com o melhor de si reunido na fase um. O mundo lá fora aceita tua presença e atitude.


Quarta fase: Ainda na dimensão motora. Não faça. É o momento da entrega, de usufruir ai dentro a sensação de sucesso, do dever cumprido, do melhor realizado. Saborear o momento presente, comprovando-se subjetivamente pela ação objetiva com o melhor de si.


Quinta fase: Na dimensão afetiva. É o momento do desapego. Liberte o objeto de prazer escolhido na fase dois, pois você está nutrido, satisfeito, comprovado na fase quatro.


Sexta fase: Na dimensão afetiva. Grande prêmio. Amor a si próprio.


Finalmente, iluminação, usufruindo do melhor de si, presenteando o mundo.


Psicólogo Clínico – CRP 14/44122, Hipnoterapeuta, Prof. Univ. Estadual do MS. e-mail: [email protected]

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