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Opinião

Por que não há paz na terra de Abrão, Isaac e Jacó?

20 Nov 2015 - 08h32
Quando o grande patriarca Abraão desobedecendo o seu Deus e empurrado por sua mulher legítima Sara, fora se deitar com a sua escrava Agar, dando ensejo ao aparecimento de Ismael, o primeiro no ramo dos palestinos, estava criada a discórdia, os insultos, as mágoas, enfim, as disputas intermináveis pelos territórios que todos reclamavam serem os legítimos donos.

Essa discórdia cujo embrião fora um lapso de quem teria que ser o luminar da sua grande nação desencadeou uma série de ações beligerantes que teimam em vencer os tempos, e a desafiar a mais sábia de todas as chancelarias do mundo civilizado para a feitura definitiva de um acordo de paz de verdade entre os seus povos.
Um verdadeiro contrassenso diante de uma realidade ainda maior e de valor inestimável que vem chancelada pela coberta da história e dos relatos bíblicos a respeito do Oriente Médio. Falo da grandeza de uma região em que o homem aprendeu a arar a terra, e a cultivá-la; ergueu o primeiro templo religioso e aprendeu a rezar e a perdoar; edificou o primeiro Código de Leis, o Código de Hamurabi, instituiu a família como a principal célula social e viu entusiasticamente surgir das suas entranhas as três principais religiões monoteístas que são até hoje protagonizadas pela humanidade – o Judaísmo com Moisés, o Cristianismo com Jesus e o Islamismo com Maomé.

Mas, com tudo isso conspirando em seu favor não conseguiu a tão aguardada paz. E ela ficou longe, muito longe de ser alcançada quando os interesses das grandes potências começaram a ditar regras de comportamento políticos para esses povos de origem milenar. Franceses, ingleses e americanos, no pós guerra, decidiram desenhar a nova geografia política dos países árabes, sem consultar as suas respectivas populações. Um erro diplomático imperdoável.

O legado de heroísmo, de civismo, de patriotismo e de amor acendrado às culturas, e tradições de um povo não podem ser negociados, como mercadorias. Essa ingerência resultou no ato da mais pura provocação, e fez desencadear os atos de horror, que vitimou outra vez a França, da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Os povos e as nações são livres para decidirem o seu próprio destino.

O nosso ministro Santiago Dantas na Organização dos Estados Americanos ensinou isso para o mundo inteiro ao consagrar a sua tese sempre atualíssima da - Autodeterminação dos Povos -. Os povos e as nações, não precisam de ninguém para aconselhá-los a entender o que é melhor ou pior para eles. A ingerência, não poderia dar em outra coisa senão o surgimento dos governos de força que proporcionam horror e sangue entre os seus nacionais. A “Primavera Árabe“ mostrou a face mais amarga de governantes que usam erradamente o fundamento religioso e político para desencadear atos de verdadeiro desrespeito para com o seu povo e contra os seus conspiradores.

A humanidade, não pode continuar vítima da insensatez e do capricho de uns poucos. A violência vai gerar mais violência. O bom senso está a indicar novamente que o diálogo é a forma mais respeitosa e digna de se construir um mundo de paz e de prosperidade. É o que todos nós aguardamos ansiosamente.

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