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Opinião

Padre Cícero Romão Batista

19 Fev 2016 - 11h33Por Do Progresso
Antonio Carlos Siufi Hindo


Na região mais pobre do sertão cearense, especificamente na cidade de Juazeiro do Norte, um padre de origem humilde transformou a vida de um punhado de pessoas, que viviam desesperadas, sem norte e sem nenhum destino numa quadra de esperança e de vida. Naquela rotina dramática o sertanejo resignado com a sua própria sorte outra alternativa não lhe restava senão lutar e de se apegar com Deus e com a sua fé para continuar vencendo os desafios que o destino reservava para cada um deles.


Foi nessa quadra de sofrimento e dor intenso que Deus na sua onipotência divina reservou para a vida daquela população a ação sempre santa das suas mensagens transubstanciada na pessoa física de Cícero Romão Batista. E tudo transcorria na mais absoluta normalidade na vida daquele povo, até o dia em que um hóstia consagrada colocada na boa da beata Maria de Araujo, se transformou em sangue. Pronto. Foi o que bastou para que a Igreja da época remetesse o sacerdote à condição de um visionário. Nada mais perverso. O tema desnudou a face mais retrógada dos principais líderes religiosos da Igreja Católica de então transubstanciada na inveja de seus pares. Foi essa mesma inveja incrustrada no coração das pessoas ao longo da história da civilização, que impediram o Cristo de realizar os seus milagres em sua cidade natal.


A inveja continua presente e viva no seio da nossa sociedade. Ela está em todas as oficinas de trabalho, nas relações pessoais, nas relações sociais, e em todos os outros campos de atividade em que estiver envolvido o ser humano. Não temos outra saída, a não ser conviver com o seu ranço que nos estigmatiza e transfigura a nossa alma.


Mas, o que fizeram com o padre Cícero em nenhum momento desencantou o valor da crença, da fé, da confiança, que aquele verdadeiro homem de Deus conseguiu despertar no seio daquela população sofrida. Esse fato é a mais contundente de todas as provas de que a fé das pessoas não precisa de nenhum tipo de prova para aceitar como verdadeiros os ensinamentos que lhes são ministradas por vocação divina. E o Papa Francisco voltou novamente a surpreender o mundo ao perdoar o santo de Juazeiro do Norte de todas as punições que lhe resultaram impostas pela igreja católica entre os anos de 1.892 e 1.926, em nosso território nacional.


A fé daquele povo sofrido pelo seu conselheiro continua inquebrantável. Suas palavras continuarão sendo a sentinela mais forte a animar os homens de bons propósitos a acreditar na vida e fazer dela um raio de luz para os que vivem na escuridão. A ação papal resultou digna dos melhores elogios e sinalizou para um outro dogma de regular a importância: ninguém salva ninguém a não ser os nossos atos, as nossas ações, os nossos sentimentos, nobres e elevados e o desejo sempre presente de auxiliar o nosso semelhante a encontrar o seu destino de grandeza e de esperança.


O perdão é a palavra mágica que nos salva e nos redime. Foi ele o grito tresloucado daquele que deu sua própria vida para nos salvar. Francisco sabe interpretar como ninguém esses fatos. O seu papado está sendo considerado por muitos como verdadeiro divisor de águas no seio da Igreja Católica. Isso é muito bom e alvissareiro.


É o prenuncio que a Igreja pode ainda oferecer novas e surpreendentes ações de um homem que, tendo saído da cidade de Buenos Aires rumo à cidade do Vaticano para escolher um novo pontífice por lá permaneceu para ser ele próprio o grande vetor da paz, da concórdia e da união entre os povos e as nações ao redor do mundo.


Promotor de Justiça aposentado. e-mail: [email protected]

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