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Opinião

Os danos ambientais da mineração em MG

10 Nov 2015 - 07h00
E mais uma barragem de rejeitos da mineração se rompe em Minas Gerais. Nos últimos 14 anos, inúmeras tragédias humanas e ambientais foram registradas no Estado. Na cidade de Nova Lima em 2001; 2007, em Miraí; 2014, em Itabirito e, agora, em 2015, no Município de Mariana. Dezenas de pessoas mortas e feridas, perdas de inúmeras residências, carros e diversos bens, criações e plantações perdidas e danos ambientais incalculáveis para a vegetação e principalmente, os recursos hídricos. Durante as minhas aulas de impactos ambientais no uso dos recursos hídricos, um dos assuntos abordados é o impacto das atividades da mineração. E, agora, infelizmente, mais este triste exemplo estarei utilizando.

Muitos fatores precisam ser avaliados antes de distribuirmos as responsabilidades por esta tragédia, mas uma coisa é certa: o dono da barragem é responsável por ela e por todos os danos causados. Diversas informações estão surgindo, desde problemas estruturais até o registro de abalos sísmicos na região, os tremores de terra, mas de baixa intensidade, teoricamente, sem poder para abalar as estruturas de um grande talude de barragem de rejeitos. E a fiscalização? Foi ou não eficiente? Os peritos terão pela frente um grande quebra cabeças para resolver. O certo é que dezenas, ou até mesmo, centenas de milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração foram despejados nas cabeças dos moradores de um pequeno distrito do Município de Mariana, impactando o pequeno Rio do Carmo com previsão de contaminar o Rio Doce em toda a sua extensão, até a foz, no Espírito Santo, impressionantes 800 quilômetros. O Rio Doce, além de apresentar uma redução histórica na sua vazão por conta da seca no Vale do Rio Doce, agora, recebe esta impressionante carga de rejeitos. Quem disse que o que está ruim não pode piorar?

A economia de Minas Gerais tem um de seus tripés alicerçados na mineração. Falar em fechar as mineradoras é condenar o Estado à falência. Mas, na contramão ambiental, a atividade é altamente impactante, destruindo lençóis freáticos e artesianos, utilizando quantidades absurdas de água nos seus processos, gerando grandes quantidades de resíduos, principalmente os rejeitos líquidos.

Nestes grandes processos exploratórios dos recursos naturais promovidos pelas mineradoras não cabe mais a geração e a deposição destes resíduos da mesma forma que se fazia há mais de 70 anos. Os processos de exploração evoluem, mas o descarte dos rejeitos não. Continuam com suas barragens de rejeitos colocando em risco milhares de vidas e o meio ambiente.

Após estas inúmeras tragédias que citamos, está na hora do Estado cobrar das empresas, pesquisas de reutilização e reaproveitamento dos rejeitos. Os atuais modelos de disposição de rejeitos não deveriam mais ser aceitos pelos órgãos ambientais. Esperamos que mais esta tragédia não fique no esquecimento e que os nossos políticos discutam de forma séria e responsável sobre o futuro dos rejeitos da mineração.

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