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Antonio Carlos Siufi Hindo

O voto e a consciência parlamentar!

29 Abr 2016 - 06h00
Uma parcela importante da nossa imprensa que acompanhou o processo de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados ficou horrorizada com as manifestações de alguns parlamentares que invocaram Deus, a mulher, os filhos, os netos e bisnetos e também, seus entes federados, seus eleitores e a Pátria para respaldarem os seus votos.


Essas opiniões não possuem amparo legal, porque ninguém possui credencial para ditar regra de comportamento ao parlamentar no ato de votar. O voto é pessoal e resultará sempre exarado segundo os ditames da consciência de cada parlamentar.


Claro que os atos de pura sandice precisam ser repudiados por escaparem das regras da normalidade. Nem merecem registro. Assim, na esteira desse raciocínio não vejo nenhuma dessas colocações como sendo ofensivas à honra nacional, à nossa história de lutas libertárias, tampouco conspirar contra os princípios e a seriedade que o tema exigia.


O mais importante nisso tudo é que o voto foi aberto, transparente, à vista do eleitor e acompanhado pela nação. Isso é que deu brilho e nos encheu de orgulho. Sem sofismas e traições pudemos acompanhar como votou o deputado que escolhemos para nos representar.


As manifestações de votos evidenciaram mais uma vez que a política é emoção, paixão, patriotismo e civismo, que procuramos sempre demonstrar tudo aquilo que acreditamos e depositamos nossas esperanças. E que tem nos parlamentare os indicativos do voto.


No Senado da República vamos ter novas manifestações para a exteriorização dos votos. Ele será também aberto e à vista de todos. Com as senadoras e senadores está a palavra final sobre o destino e a sorte, da nação brasileira. O nosso País de tantas tradições e de legados preciosos deixados pelos nossos heróis dará mais uma vez para os seus nacionais e para o mundo inteiro um banho de democracia e assistirá uma grande decisão política escorada na resistência cívica e na fé democrática, qualquer que seja o seu resultado.


Esse fato estará com absoluta certeza inserido nos anais da nossa história. Não tem mais como apagá-lo. Os nossos críticos verdadeiros serão os nossos vindouros que analisarão o tema isento de paixões e com respaldo nos fatos a serem inseridos pelos nossos historiadores em nossas literaturas que formam a disciplina História do Brasil.


O resto é apenas opiniões, pareceres ou mesmo qualquer outro adjetivo que se queira emprestar para apimentar o debate. Mas, uma coisa resultou insofismável. Que a decisão das senhoras e dos senhores deputados foi limpa e sem nenhuma eiva de nulidade ninguém pode duvidar.


Promotor de Justiça aposentado. e-mail: [email protected]

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