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Heitor Souto Maior

O mito de Estélio e a política brasileira

08 Abr 2016 - 06h00
Na Mitologia Grega, Deméter - deusa da agricultura, Ceres na Mitologia Romana - ao receber uma oferenda de uma mulher pobre, estando apressada consumiu de forma rápida e desajeitada o alimento oferecido, o que despertou risos de Estélio, — um menino que testemunhava o acontecido e não se conteve a ver uma deusa comendo como um porco. Deméter irritada pela falta de respeito transforma o garoto em um lagarto, desde então, Estélio vive se camuflando e se confundindo com o ambiente, envergonhado com a nova forma e para melhor enganar suas presas.


Desta lenda provém a denominação "estelionatário", o popular 171, o expert em fraudes. Trata-se daquele sujeito sociopata bom de conversa que seduz suas vitimas induzindo-as ao erro ao darem-lhe confiança, levadas principalmente pela ambição. O estelionatário não possui sentimentos, compaixão e\ou piedade, pois não se importa se está esvaziando a carteira de um pai e\ou mãe de família, se a merenda de uma escola e a falta de medicamentos de um posto de saúde irá prejudicar uma comunidade. O estelionatário sequer nota o rastro de destruição que deixa por onde passa, está mais preocupado com ele mesmo.


Como a principal característica do estelionatário é sua personalidade egocentrista - pois só pensa nele próprio -, os políticos e os lideres religiosos, em sua grande maioria estão mergulhados de corpo e alma nesse mundo de fraude e descaso, não fosse isso, não teríamos tantos cidadãos sendo explorados politicamente, como também de forma vil e covarde em determinadas igrejas, que se aproveitam da inocência e boa fé das pessoas.


Se a política não estivesse infestada de estelionatários profissionais, não teríamos tantos buracos nas rodovias e vias das cidades, não teríamos o caos na saúde pública e muito menos a degradação da educação em todos os níveis. Questões sociais que em épocas eleitorais os falastrões de palanque resolvem com propostas em suas verves emocionadas e até então convincentes, mas basta acabar a eleição para tudo ficar esquecido.


O mais impressionante no comportamento de um estelionatário, quando político, é sua capacidade sedutora e hipnotizante de aplicar a mesma mentira em sucessivas eleições. É tão implacável em sua verve hipócrita, que a sua verdadeira imagem de servidor público que deve satisfações a seus eleitores é vista ao avesso, ou seja, ao invés de ser cobrado, passa a ser adorado, como alguém sobre-humano, criando em volta de si um séquito de bajuladores.


No Brasil o político é tão eficiente no ofício de legislar em benefício próprio, que tem foro privilegiado, o que contraria inteiramente o Art. 5º da Constituição Brasileira: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (...)". O descaramento de nossos políticos é tanto, que se chega a um ponto de brincarem com a inteligência das pessoas mais atentas, pois nas palavras de Millor Fernandes: "isto sim e que é Congresso eficiente! Ele mesmo rouba, ele mesmo investiga, ele mesmo absolve".


Grande parte dos políticos legislando em causa própria e desviando recursos de Emendas Parlamentares significa o que? Senão uma confraria de estelionatários protegidos por leis criadas por eles mesmos. Em contrapartida, o estelionatário comum ao ser pego vai a julgamento e consequentemente a prisão. Diante de tudo isso a respeito da questão dos políticos, paira a pergunta: a culpa é de quem?

Articulista, Geógrafo. e-mail: [email protected]

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