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Davi Roballo

O galinheiro e a corrupção

14 Jun 2016 - 06h00
A corrupção existe talvez, desde que o homem abandonou a vida nômade de apanhador e caçador para viver em comunidades, que são os embriões das Cidades-estados. Essa guinada social de nossa evolução tecnológica deu-se em razão do homem ter domesticado animais e aprendido a cultivar cereais e frutas. Com a prática as experiências foram aperfeiçoando-se e no caso do galináceo, do qual o homem passou a explorar o ovo e a carne, estabeleceu-se a regra de que um ninho jamais deve estar vazio, isto é, não se deve de forma alguma, retirar todos os ovos, mas deixar sempre um, o ovo indez, para que as galinhas continuem botando nesse ninho e o criador continue recolhendo os ovos excedentes sem que as galinhas percebam que são roubadas.


A política profissional exercida por políticos matreiros, ardilosos e escorregadios constitui-se em uma grande confraria de especialistas em galinhas, tanto que esses políticos são tratados pela alcunha de "velhas raposas". Raposas que cuidam e administram o grande galinheiro que é o erário público. A regra entre esses administradores equivale-se as mesmas do fazendeiro que cria galinhas, ou seja, jamais deixar o ninho vazio para que possa usufruir constantemente dos ovos depositados pelas galinhas ingênuas.


Após muitos anos à beira do galinheiro do Brasil, o PT conseguiu entrar nele. Sem a experiência das velhas raposas e não entendendo nada de galinhas, foi logo consumindo e distribuindo ovos; derrubou as cercas do galinheiro e usou como combustível de um fogão, no qual ensopou todos os galos e os consumiu em um grande e ostentado banquete. Sem ovos e com as galinhas perdidas longe do galinheiro, passou a culpar as velhas raposas pela escassez.


O que faltou ao Partido dos Trabalhadores foi a malicia e a experiência das velhas raposas, além da falta de conhecimento administrativo, e como agravante, existe no inconsciente coletivo dos dirigentes e militantes do PT, uma falsa concepção, ou seja, eles não ganharam as eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014 e sim tomaram o Poder. Quem pensa que tomou o Poder administra a coisa pública como se fosse privada, pois não consegue diferenciar uma da outra.


A prática da apropriação indevida da coisa pública não é de hoje, tanto que na Grécia antiga e em Roma como forma de combater a corrupção surgiu o livro contábil e o diário oficial, mas nem mesmo isso foi suficiente para atenuar ou diminuir a roubalheira. Cícero, um dos mais notáveis e eloquentes senadores do Império Romano só se tornou Senador depois de ser governador de província e ter roubado o suficiente para galgar o tão pretendido cargo, pois não ascendia de família tradicional.


No Brasil somos roubados, explorados e vilipendiados há mais de 500 anos, diante disso, o PT despontou no cenário político nacional como um partido ético e capaz de reformular a política brasileira, equilibrando-a a um nível de decência e honradez. Não foi o que aconteceu. Para conquistar o Poder teve de fazer o que fazem os políticos que desejam se eleger: jogar-se aos braços de um patrocinador que mais à frente cobra um preço alto pelo favor.


A grande ilusão, a mais bela de nossas utopias é acreditar que existe político íntegro, tudo porque não gostamos muito de realizar cálculos, pois parece que somos condicionados desde muito cedo a odiar os números. Se gostássemos de matemática somaríamos todos os 48 salários e outros subsídios recebidos - tanto de um político do legislativo, quanto do executivo, dinheiro equivalente aos quatro anos de um mandato - e veríamos que essa soma é ínfima, fica muito aquém do valor gasto em uma campanha. Ante essa situação, fica a pergunta: seriam os políticos altruístas a ponto de pagar para trabalhar?


Jornalista, Especialista em Comunicação e Marketing / Especialista em Jornalismo Político. e-mail: [email protected]

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