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Opinião

O Corinthians e a redemocratização no Brasil

25 Nov 2015 - 08h20
A década de 1980 no Brasil foi marcada pelo retorno das normalidades democráticas. O primeiro passo nessa caminhada se deu com a volta das eleições diretas para governadores, ocorridas em 1982. Quase três anos depois, em 25 de janeiro de 1985, o país viu seu comando ser devolvido a um presidente civil (Tancredo Neves, do PMDB, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral ao vencer Paulo Maluf, candidato governista). Apesar da redemocratização ter ocorrida por meio de conciliações políticas entre antigos apoiadores do regime militar e líderes oposicionistas aquele sistema, a vitória de Tancredo representou o fim do autoritarismo que durou 21 anos.

Em todo esse processo, diversas pessoas, políticos com mandatos e militantes idealistas atuaram de forma direta ou indireta. Familiares de presos e desaparecidos políticos foram às ruas nas manifestações pelo retorno da democracia, por meio das Diretas Já. Nesse contexto, um time de futebol se destacou pelo empenho nessa luta: o Esporte Clube Corinthians Paulista.

Isto se deu, de acordo com o filme Democracia em Preto e Branco (2011), do diretor Pedro Asbeg, da seguinte forma: entre os anos de 1982 e 1984 a administração do time esteve nas mãos do sociólogo Adilson Monteiro Alves, e este empregou um método revolucionário na forma de comandar o clube, cujas cabeças mais politizadas eram os jogadores Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon. Por essa linha de pensamento, as decisões que ocorriam no time passaram a ser feitas de forma democrática, com a participação de todos os membros em votações de temas de interesse do Corinthians.

Foi com essa visão que o Timão ajudou a enfrentar a já decadente ditadura militar brasileira. Na campanha para governador em 1982, que devolveu aos eleitores brasileiros o direito ao voto para os executivos estaduais, o Corinthians literalmente vestiu a camisa do pleito e passou a defender o exercício do voto por parte da população. O time jogava com um uniforme que continha os seguintes dizeres no verso: “Dia 15 vote”, uma alusão ao dia 15 de Novembro, data daquela eleição, o que certamente convenceu muitos torcedores/eleitores. Ao final da campanha, com essa força dada por esse time de grande torcida no Brasil, o resultado foi ruim para a ditadura, pois o maior partido da oposição, o PMDB, conquistou 9 governos: Acre (Nabor Junior), Amazonas (Gilberto Mestrinho), Espírito Santo (Gerson Camata), Goiás (Íris Resende), Mato Grosso do Sul (Wilson Barbosa Martins), Minas Gerais (Tancredo Neves), Pará (Jader Barbalho), Paraná (José Richa) e São Paulo (Franco Montoro). O estado do Rio de Janeiro, onde o Flamengo e Fluminense dominam, também elegeu um oposicionista, Leonel Brizola, do PDT.

Já na campanha pela volta das eleições diretas para presidente da República, as Diretas Já, o Corinthians também marcou presença. Era comum ver bandeiras do time se misturarem com bandeiras do PMDB, PCB, PT e PDT, entidades sindicais, como a CUT, e movimentos estudantis, entre eles a UNE.

Enfim, sou um corintiano por influencia de meu pai, mas, como ele, não sou fanático (nem jogo de futebol assisto). No entanto, ao conhecer melhor esta história, confesso que lá no fundo dá orgulho de torcer pelo clube, o campeão do Brasileirão deste ano. Salve a democracia brasileira! E como diz a torcida, salve o Corinthians!

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