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Opinião

Nem só de más notícias vive Mato Grosso do Sul

11 Dez 2015 - 10h41
Wagner Cordeiro Chagas

A prisão do empresário José Carlos Bumlai e do senador Delcídio do Amaral (PT), ambos de Mato Grosso do Sul, em nova fase da Operação Lava Jato, levou o Estado a mais uma vez ser divulgado de forma negativa nos veículos de comunicação brasileiros. Por aqui já se tornou comum ouvir que Mato Grosso do Sul só aparece na mídia nacional quando a notícia é ruim. Além de escândalos políticos, as notícias a respeito de tráfico de drogas, com muita frequência, citam nosso Estado como rota de passagem, devido aos limites geográficos que possuímos com Paraguai e Bolívia.


A primeira má notícia relevante sobre Mato Grosso do Sul divulgada a nível nacional ocorreu em meados de 1979, quando o Estado tinha apenas 6 meses e funcionamento efetivo, e envolvia a política. Fomos matéria, com direito a 3 páginas, na edição de número 563 da revista Veja, do dia 20 de junho. O conteúdo versava a respeito da demissão do primeiro governador, Harry Amorim Costa (ARENA), derrubado após manobras políticos de lideranças locais com o presidente da República.


Mas, nem só dessas divulgações desagradáveis vive o querido Mato Grosso do Sul. Temos problemas como todo o País. No entanto, temos muitas coisas boas. Basta falarmos das belezas naturais do nosso Pantanal, a maior planície alagado do mundo, do qual 2/3 pertencem a este estado. Lembremos das belezas de Bonito, com suas famosas grutas e outras belezas naturais. Dois grandes rios passam por aqui, o Paraguai e Paraná, importantíssimos para a economia nacional, além de atrair inúmeros turistas.


Em termos políticos, fomos referência positiva para o Brasil em 1982, quando a população elegeu, no final da ditadura militar, o PMDB com os candidatos Wilson Barbosa Martins e Ramez Tebet para governar o estado, na primeira eleição direta para governador após 16 anos, seguindo o exemplo de outros 9 estados que optaram pela oposição.


Tivemos um grande líder de destaque internacional, que chegou a reivindicar ao Papa João Paulo II pelos irmãos indígenas, chamava-se Marçal de Souza, líder indígena Guarani-Ñandeva. Seu assassinato covarde em 25 de novembro de 1983 comoveu o mundo, mas nem por isso seu povo desistiu da luta por respeito a seus direitos e a diversidade cultural e étnica, que é a base da formação da sociedade brasileira.


O maior projeto de reforma agrária do Brasil está localizado em terras sul-mato-grossenses, o Assentamento Itamarati, no município de Ponta Porã, implantado pelo governo Fernando Henrique (PSDB) com apoio da gestão estadual de José Orcírio (PT).


Em termos culturais, Mato Grosso do Sul é um grande celeiro de artistas que se destacaram e se destacam a nível nacional e internacional. Você já ouviu falar em Almir Sater, Tetê Espíndola, Aracy Balabanian, Michel Teló, Luan Santana, David Cardoso, Ney Matogrosso, Délio e Delinha, Munhoz e Mariano, Helena Meirelles, Manoel de Barros, João Bosco e Vinicius, Maria Cecília e Rodolfo, Brô Mc’s. (grupo de hap formado por jovens indígenas Guarani-Kaiowá de Dourados)? A maioria deles são filhos deste estado e outros cresceram aqui, e levam ou levaram muita alegria, romantismo e reflexão por meio de suas músicas, poesias e atuação na teledramaturgia.


Enfim, poderia elencar outros fatos importantes e relevantes desta Unidade da Federação, contudo, o espaço aqui não me permite. De uma coisa temos certeza, somos um estado jovem, com inúmeras expectativas e sonhos. Podemos e devemos nos empenhar para que as más notícias saídas daqui diminuam. Que Mato Grosso do Sul possa ser exemplo de um estado com um povo determinado a mudar essas realidades e colaborar na construção de uma sociedade onde a ética, em todos os segmentos, seja de fato uma realidade.


Mestrando em História pela UFGD e professor em Fátima do Sul. e-mail: [email protected]

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