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Opinião

Luiz Machado: Morte e a ética

13 Jul 2011 - 06h09
Dr. Luiz Machado

No curso de Medicina, geralmente o aluno se depara com a imagem marcante na sala de Anatomia. Quando defronta com os cadáveres que ficam expostos para iniciar o caminho para ser médico. Vendo aquele corpo coberto estendido numa mesa fria, ficam imaginando qual pessoa que doou seu corpo para estudos e pesquisas.


Outros como eu vi numa Faculdade de Medicina sofrer dissecação para o estudo de anatomia. É como um ator mudo e inerte, no grande palco da vida. Até parece que quando descobri aquele corpo, ele falava para mim.... “Podem aprender tudo que você quiser de anatomia comigo, isto é, em mim. Para não errar nos nossos semelhantes”.

E a convivência do dia a dia, ele foi se tornando meu amigo, conselheiro e sentindo as minhas angústias de uma prova oral de anatomia, chegando até a sonhar com “ele”.

Por isso sempre defendia que o “Culto ao cadáver desconhecido”, que acontece durante as solenidades dos formandos de Medicina, deveriam ser substituídos para o início das aulas de Anatomia.

“Seu nome só Deus o sabe, mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir a humanidade que por ele passou indiferente” (Karel Rokitans Ky (1876).

Na rotina diária do médico geralmente nos defrontamos com a morte. Pensando que alguém iria morrer e que pudesse fazer outro sobreviver – doando seus órgãos para um desconhecido.

A vida foi me dizendo que a morte é essencial para o existir. Sem existir não morremos. Afirma Jorge Curbelo. Além disso, a morte é a possibilidade mais autêntica da existência. Se não compreendermos a morte não existimos. E, cada vez sabemos mais sobre a morte. Por quê?...

Muitas pessoas têm a vida salva por um doador que sofreu morte encefálica, emprestando-lhe nova vida que hoje permite muitos continuar a sua vida. O fato do transplante torna-me um admirador e estudioso (?) do problema da morte encefálica, considerando um conceito de “morte” como uma questão filosófica e qual (is) os critérios para o seu diagnóstico, no interesse de diferenciar definições de morte com o problema de quando a morte ocorre.


A morte encefálica, que é a condição necessária e irreversível da destruição do ENCÉFALO, para considerar um indivíduo como morto.
Esse é hoje o verdadeiro significado dos transplantes: permitir que nós, “pobres” médicos, sejamos instrumento tentando imitar, e de forma sublime, o milagre da ressurreição, procurando – depois da morte – continuar a oferecer a vida revivendo a Parábola, pois somente o ato heróico da doação do próprio corpo após a morte para outrem irá nos proporcionar a verdadeira experiência de ter estado vivo


######(prof. Dr. Raul Marino Jr).

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