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Jorge Luiz Baldasso

Devolvam o país

06 Mai 2016 - 06h00
Chegou a hora! Após mais de uma década no comando do país, onde fizeram e desfizeram praticamente de tudo no que se refere a insensatez e irresponsabilidade, passando por alguns dos capítulos mais nefastos do código penal, chegou ao seu ocaso o governo popular que pregava a justiça social e a luta de classes no escopo de salvar o povo das elites golpistas e reacionárias. Finalmente!


Um fim melancólico, sem dúvida, mas necessário. Como ensina a história, algumas ilusões não se desfazem sem a experiência prática, nem utopias se evaporam ao sabor das primeiras mentiras reveladas. Pacientemente, assistimos nestes últimos anos às denúncias mais impressionantes, as mais absurdas e escancaradas improbidades, e gradativamente foi ficando evidente que havia algo de muito errado nesta estória de promover o social, melhorar a vida do povo, elevar a saúde e a educação públicas a padrões de primeiro mundo, etc, etc.


A utopia deu lugar à desilusão e à desfaçatez, na forma de um desemprego que atinge índices alarmantes, economia em frangalhos e a volta da inflação, esta engolidora de salários; isso sem contar o flagelo das filas intermináveis nas portas de hospitais, com a saúde pública à beira de um colapso, a educação pública entre as piores do mundo, uma segurança pública que provoca mais vítimas que em países em guerra e a infra estrutura do país em estado de completo abandono. Tudo associado ao mau uso do dinheiro público, combinando sempre com aumentos e mais aumentos de impostos e denúncias e mais denúncias de corrupção – e neste último quesito, agora sabemos, somos campeões mundiais... ao menos nisso (só com o que foi pago em propinas na Petrobrás, pasmem, dava para construir oitocentos hospitais totalmente equipados).


Propina era pouco! O que queriam mesmo era se perpetuar no poder, e para isso foram inúmeras as incursões para tentar controlar a sociedade civil, os sindicatos, imprensa, o legislativo federal, e até o judiciário, sempre seguindo os ditames da ideologia totalitária na qual foram doutrinados e que fracassou miseravelmente em todos os países que a experimentaram. Constantemente testemunhávamos a propaganda partidária se esmerando em anunciar as maravilhas que estavam sendo feitas em favor do povo e, por tabela, demonizando as elites, jogando sobre elas, seus adversários políticos, ou qualquer um que discordasse de seus métodos toda a culpa sobre os fracassos cada vez mais evidentes daquela administração dita popular. Tal era o apego ao poder, em mandar, determinar, ter sempre razão, que eram incapazes de admitir erros, de fazer um "mea culpa" sincero; eram sempre os outros que sabotavam o povo, e isso continuou mesmo quando quase toda a cúpula do poder passou a ser investigada ou foi posta atrás das grades. Prevalecia o discurso ufanista, o "nunca antes na história deste país", o governo do social, contra as elites reacionárias, etc, etc... e nesse ponto procurou-se seguir a risca a cartilha de Goebbels: "uma mentira, repetida mil vezes torna-se verdade" (a última, alardeada à exaustão, é que "impeachment é golpe").


Mas, como dizia Lincoln... "não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo"... um dia a casa cai.
A casa caiu! Vocês mentiram, iludiram, corromperam instituições, arrasaram as finanças públicas, destruíram nossos sonhos e nos envergonharam aos olhos do mundo. Deram mais importância à ideologia do que às leis e trataram a coisa pública como se fosse propriedade particular, ignorando que mandato eletivo não é carta branca para fazer o que quiser. Abusaram da confiança do povo, tão sorrateiramente enganado com aquela conversa mole de justiça social enquanto dilapidavam sem piedade os cofres públicos. Chegou a hora de irem embora, de devolver ao povo o país que usurparam. Ele não lhes pertence!


Entreguem os cargos, devolvam as chaves e saiam de fininho, sem alarde. E não venham com aquela estória de que é tudo culpa das elites, da oposição, da direita reacionária... não cola mais. Vão embora, e levem junto suas ideias ultrapassadas, sua ideologia e suas mentiras. Mas deixem os móveis, as louças e os talheres dos palácios e apartamentos funcionais, que é propriedade do povo. Pelo menos isso!


Médico. e-mail: [email protected]

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