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José Carlos de Oliveira Robaldo

Corrupção: um verdadeiro tsunami

07 Jul 2016 - 06h00
A cada dia que passa, a população vai tomando conhecimento do tamanho das ondas provocadas pela corrupção e, consequentemente, do rombo que esse tsunami vem causando à Nação brasileira. Muitos discordam da afirmação de que esse mal já é endêmico. Contudo, se não é, está próximo.


Essa prática, pelo que relata a história, retroage aos idos de 1500, mas, com certeza, não na dimensão que foi revelada a partir do Mensalão, seguido pela Operação Lava Jato e que, passando pela Acarajé, já está na Custo Brasil, Saqueador, Abismo e que, pelo andar da carruagem, outras virão. Milhões e milhões do dinheiro da saúde, educação, segurança pública, infraestrutura etc, foram queimados sem o mínimo pudor.


A Petrobrás, que enchia de orgulho os olhos dos brasileiros, em pouco mais de uma década esvaiu-se e, não bastasse o rombo que causou, sua sangria está difícil de ser contida. Também pudera, pelo relato da imprensa, até a comemoração do aniversário de 53 anos do ex-presidente do PT, Paulo Ferreira, abrilhantada pela escola de samba Estação Maior da Restinga, de Porto Alegre-RS, foi direta/indiretamente regada pelos valores surrupiados da referida empresa petrolífera. Apenas essa festança custou aos demais brasileiros mais de R$ 100 mil. Só a madrinha da bateria, Viviane da Silva Rodrigues, que aparece ao lado do aniversariante (Folha de S. Paulo, poder, A5, 5/7), teria recebido uma mesada de R$ 61,7 mil em repasses quase mensais, o que reforça o ditado popular de que é fácil fazer festa com o chapéu alheio.


Nem mesmo o Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobrás), com sede no Rio de Janeiro, escapou das garras de Paulo Ferreira, que é casado com a ex-ministra Tereza Campello, do governo Dilma. Apenas em razão da reforma desse Centro teria recebido, a título de propina, cerca de R$ 1 bilhão. Informações estas passadas pelo delator Alexandre Romano, ex-vereador do PT, de Americana-SP, que teria sido seu "caixa 2".

Sintomaticamente, as diligências que redundaram nestas conclusões foram denominadas de Operação Abismo, em referência à exploração de petróleo em águas profundas levadas a efeito pelo referido Centro de pesquisas.
O Ministério de Planejamento, no governo Dilma, que foi ocupado por Paulo Bernardo, segundo o que vem sendo apurado pela Operação Custo Brasil, também não escapou dos desvios de valores atribuídos a Paulo Ferreira e ao próprio Paulo Bernardo entre outros. O que resultou no bloqueio de cerca de R$ 102,6 millhões da sua conta bancária.


Portanto, fácil de entender as festanças que rolam, não só aqui em território tupiniquins como lá fora: aniversário abrilhantado com escola de samba; Eduardo Cunha, em Paris, ao longo de cinco dias (fevereiro de 2015) torrando mais de 27 mil dólares em restaurantes, lojas de roupas, hotel e altos valores em depósitos nos bancos Suíços. Valores da corrupção respingando por todos os lados.


Enquanto isso, 11,4 milhões de desempregados, faltando feijão e outros alimentos básicos na mesa do brasileiro. Isso tudo tendo como pano de fundo nos últimos anos uma herança deixada por um governo desastrado.


Não obstante, o advogado José Eduardo Cardoso insiste em afirmar que a acusação do impeachment de Dilma não passa de "Pirueta retórica" (Folha, A12, 4/7), esquecendo-se de que a verdadeira pirueta é o que ele, e com muita competência, diga-se de passagem, e a bancada de senadores contrário ao impedimento vêm fazendo para tentar defender Dilma Rousseff.


Com efeito, a motivação maior do impeachment é o quadro acima descrito, isto é, o conjunto da obra. Portanto, não há dúvida da prática de crime de responsabilidade pela presidente Dilma. A perícia, requerida pela própria defesa, associada às demais provas, não deixa dúvida a respeito. Aliás, a melhor perícia/prova é o sentimento da sociedade.


Urge-se que o Brasil seja passado a limpo. A propósito, a Operação Lava Jato e seus desdobramentos têm prestado relevante serviço.

Procurador de Justiça aposentado. Advogado. Mestre em Direito Penal pela UNESP. Professor universitário. e-mail: [email protected]

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