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Opinião

Bem-vindo, Dom Henrique!!!

11 Fev 2016 - 11h44
Marcelo Mourão

Durante a cerimônia de ordenação episcopal e posse de Dom Henrique Aparecido de Lima como novo bispo da Diocese de Dourados, que acompanhei ao lado da minha esposa e companheira de todas as horas Aureliana, fiz algumas reflexões que gostaria de compartilhar com os leitores. Sempre tenho defendido, sobretudo quando converso com as pessoas que por conta da profusão de notícias acerca de mal feitos envolvendo políticos se dizem descrentes quanto à possibilidade de que essa atividade - a política- possa ser exercida com responsabilidade, com desprendimento e com amor. Isso mesmo. Com amor. Amor ao próximo, que na condição de eleitor delega a alguém a missão de representá-la nos parlamentos , nos poderes executivos e principalmente amor a Deus, pois como nos ensina o livro dos livros, a Bíblia Sagrada, em Romanos 13, “não há autoridade que não venha de Deus”. Concomitante à autoridade, há que se lembrar que Deus deu a elas e a todos os seres humanos o livre arbítrio. Hitler fez sua opção ao causar o holocausto, assim como Nelson Mandela fez a sua opção ao defender o fim do apartheid e após 27 anos preso pacificar a África do Sul. Qual das duas autoridades seguiu os desígnios divino de amor ao próximo?


O amor, aplicado à política, pressupõe a união de todos pelo bem comum. Ao observar, no decorrer da ordenação de Dom Henrique, a presença de autoridades constituídas de todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), do presidente do Conselho Municipal de Pastores de Dourados Eugênio Lins e de praticamente todos os segmentos da sociedade reforcei minha convicção da importância da participação das denominações religiosas e dos cristãos em geral na defesa da boa política. Nesse sentido, peço licença para transcrever a opinião do papa Francisco sobre essa necessária participação dos cristãos na política: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Os cristãos não podem fazer de Pilatos, lavar as mãos. Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum”, frisou Francisco, indo mais além: “Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre. A política é demasiado suja, mas é suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão”.


Olhando o semblante sereno de Dom Redovino Rizzardo, lembrei-me das inúmeras oportunidades em que esse grande líder da igreja católica foi à Câmara Municipal e, da tribuna, brindou-nos com sua sabedoria discorrendo sobre temas que passam necessariamente pela política, como é o caso dos conflitos agrários envolvendo produtores e indígenas. Mirando o padre Crispim Guimarães, lembrei-me de sua corajosa iniciativa de abordar em artigos publicados nos meios de comunicação, sob a ótica cristã, temas polêmicos como o tráfico humano, o “mensalão, os Direitos Humanos, os males da maconha e do álcool e tantos outros, assim como o fez também Dom Redovino. Ambos seguiram a recomendação de Francisco e não “lavaram as mãos”.


Compartilhei essas reflexões para dizer ao bispo Dom Henrique: Dourados lhe recebe de braços abertos. Contribua com sua sabedoria, como contribuiu Dom Redovino, na condução da comunidade católica da Diocese de Dourados e das paróquias a ela vinculadas. Como representante da população de Dourados no parlamento municipal, faço minhas as palavras do padre Crispim Guimarães e que certamente expressam os sentimentos de todos os douradenses: Seja bem-vindo, Dom Henrique. Que o senhor sinta-se bem entre nós. Que possamos proporcionar ao seu episcopado muitas alegrias e igualmente ouçamos dos seus lábios o que ouvimos de Dom Alberto e de Dom Redovino, que expressaram diversas vezes que os melhores anos de suas vidas passaram nesta “terra de todos os povos”.


Vereador pelo PSD em Dourados

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