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Opinião

Agricultura irrigada da região do Rio Doce comprometida

09 Dez 2015 - 11h49
Alexandre Sylvio Vieira da Costa

A lama de rejeitos da Samarco que insiste em descer o Rio Doce e o mar do Espírito Santo, matando pessoas, matando os animais aquáticos, principalmente peixes e moluscos, deixando milhões de pessoas sem água, pescadores sem trabalho, turismo comprometido, deixa também outra vitima: o produtor rural. A bacia já passava pela pior seca de sua história recente. Um rio que tinha como registro de mínima histórica na vazão de água de 170 metros cúbicos por segundo na região de Governador Valadares, registrou neste período seco apenas 60 metros cúbicos de água por segundo. Por conta desta baixa vazão do rio e de seus afluentes várias outorgas de uso da água foram reduzidas ou tiveram de ser suspensas. O produtor rural aguardava ansioso pelo retorno das chuvas para voltar a produzir alimentos e capim para o gado. Mas, antes que pudesse retornar a sua atividade, um mar de lama tomou conta do Rio Doce impedindo definitivamente o uso de suas águas. Os elementos químicos que estão presentes na água oriundos da lama de rejeitos da mineração tem característica própria que não compromete a produção de alimentos. São óxidos de ferro e alumínio além de sílica, material que compõem as areias; ótimo por este aspecto, mas como a quantidade de material na água está muito elevado ele pode se depositar na superfície do solo atuando como um cimento impermeabilizando o solo, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Outro problema está nos equipamentos de irrigação e nas bombas. Estes materiais em suspensão na água são muito abrasivos, ou seja causam um grande desgaste na bomba de água, nas tubulações e nos bicos de aspersão entupindo a tubulação e reduzindo a vida útil do material rapidamente.


E quando o produtor rural conseguirá produzir novamente utilizando a sua irrigação? Enquanto a Samarco não estancar aquele veio exposto de resíduo no solo na região de Mariana, a cada chuva forte mais material descerá pelo Rio Doce comprometendo tudo, desde o abastecimento urbano até a irrigação. Para culturas de pequenas áreas e a dessedentação animal a abertura de poços tubulares que captam água do lençol freático pode ser a solução. Mesmo com este lençol sendo abastecido pela água do rio, o solo funciona como um filtro purificando a água, tornando-a apta para irrigação, uso para animais e até mesmo para uso humano, desde que não exista na área grande uso de agrotóxicos ou fossas negras.


Estamos vivendo uma situação de guerra com uma crise econômica sem precedentes, associado a uma grande crise política e social além, é claro, da crise hídrica que já existia antes do rompimento da barragem de rejeitos da mineração. Acredito que com uma ação urgente da empresa na região do rompimento com a contenção dos rejeitos e a sua estabilização através do uso de vegetação conseguiremos melhorar a qualidade da água do Rio Doce, afinal, são centenas de afluentes primários e secundários que dão vida ao rio e o problema aconteceu em apenas um destes afluentes. O problema é que a empresa está demorando muito para agir, e isto preocupa a todos.


Prof. Adjunto - Univ. Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. e-mail: [email protected]

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