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Antonio Carlos Siufi Hindo

A verdade!

24 Jun 2016 - 06h00
A população brasileira continua acompanhando atentamente o desenrolar das várias fases da Operação Lava Jato que está mudando a face mais sórdida que a nossa política foi capaz de produzir. A luta entre a verdade e a mentira estabelecidas pelos contextos das delações premiadas e que apuram a roubalheira em todas as esferas de governo está produzindo uma onda de indignação e de revolta no seio da nossa população.
O embrião a respeito da decantada verdade está no interrogatório do Cristo diante de Pilatos. Quando o livro sagrado dos cristãos se silencia a respeito do tema o que temos de mais evidente foi a abertura irremediável de um vácuo nas relações entre as pessoas, com reflexos imediatos no âmbito das investigações criminais. A partir daquele momento a verdade se transformou em algo de natureza eminentemente filosófica. O mundo civilizado então fez expulsar dos seus códigos criminais o princípio da certeza legal sob o argumento de que não há provas infalíveis nem mesmo porque qualquer delas pode ser imposta como definitiva. E consagrou o principio do livre convencimento do juiz para formar sua opinião.
Mas essas decisões não podem brotar do seu puro capricho nem se distanciar da prova produzida. Tudo precisa ser fundamentado. É essa a realidade que estamos vivendo no curso da Operação Lava Jato. Para cada acusação de natureza grave que flui dos lábios dos delatores os acusados sem exceção invocam em suas defesas a negativa de participação nesses atos criminosos. Até os delatores para receberem os benefícios da Justiça não conseguem provar o que entendem e sabem como verdade. Transformaram-nos em uma República de mentirosos. Uma verdadeira loucura. Não é possível que isso esteja acontecendo em nosso País.


O nosso povo não merece essa atrocidade. Agora é o presidente interino, Michel Temer que esta negando o seu envolvimento com suposto ato criminoso evidenciado pelo seu delator. Não poderia ser diferente a sua ação. A música, já está escolhida. A dança já tem o seu ritmo estabelecido. Por isso a descrença é grande. Aliás, sobre esse tema o então chefe de Estado e de Governo da França, Charles De Gaulle, disse por ocasião da visita que nos fez, em épocas recuadas, que o nosso País não é sério. Certamente o líder francês não conversou com os nossos empresários; com os nossos professores; com os nossos comerciantes; com os nossos produtores rurais; com as pessoas, enfim, que empurram o nosso desenvolvimento escorado em uma ocupação lícita e uma atividade honesta. Se isso tivesse ocorrido sua impressão seria outra.


Mas não foi o que aconteceu. Conversou apenas com os governantes que sempre dispensaram às nossas crianças o pior dos destinos; que maltrataram, os nossos idosos; que negaram trabalho aos nossos chefes de família, e negaram também saúde de qualidade para o conjunto da nossa população. E jogaram a nossa segurança para um abismo medonho. A frase do estadista francês, já de saudosa memória, mostra que não melhoramos nada. Só pioramos.


Uma pena que essa forma nefasta de governar o país aliado à loucura desenfreada daqueles que se inclinam enfurecidamente pelo dinheiro ainda continua. Nesse contexto a grandeza do bem comum representado pela dignidade das pessoas bem propositadas e que clamam apenas pelos seus direitos assegurados no corpo da Constituição Federal não pode ficar refém de ações nefastas de uns poucos. Para a nossa população a verdade não é um enigma. Ela sabe muito bem que ela existe, onde está e com quem está.


Promotor de Justiça aposentado. [email protected]

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