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Wilson Valentim Biasotto

A queda de um gigante

02 Jul 2016 - 06h00
Mal deu tempo para pensar em escrever sobre a hipótese de um governo único para o mundo todo e eis que tomo conhecimento de que o filósofo alemão Alexander Wendt já havia estudado o assunto e concluído que não daria certo. Cultura, religião, leis específicas de cada país inviabilizariam um "estado mundial", além de que, um exército único poderia dissolver o parlamento, responsável pela governança global e o planeta transformar-se-ia (mesóclise para lembrar Temer, o golpista) em uma "ditadura única".


Ora, se nem a União Europeia conseguiu manter-se, apesar de os Estados continuarem independentes, havendo apenas uma regulamentação geral exercida pelo Parlamento Europeu, como haveria de haver uma governança mundial única? No caso Europeu, a saída do Reino Unido não se deveu a razões econômicas, mas ao medo. O medo decorrente de uma situação de insegurança, da presunção de que alguma ameaça poderia afetar individualmente ou a coletividade inglesa. E a ameaça sentida pela maioria dos habitantes do Reino Unido foi a imigração, que traria para dentro do país o terrorismo, ou na melhor das hipóteses, tomaria empregos. Esse medo gerou a xenofobia que, por via de consequência levou ao plebiscito que definiu sua saída da Comunidade Europeia.


De qualquer forma, seja por questões xenófobas ou políticas, a verdade é que estamos assistindo, também aqui na América do Sul, uma tentativa de desconstrução do Mercosul e da Unasul e, ao que tudo indica, com a participação dos Estados Unidos. Da mesma forma que a iniciativa norte-americana para a implantação das ditaduras latino-americanas, via Teoria da Segurança Nacional e da implementação no neoliberalismo nas Américas, pelo chamado Consenso de Washington, também agora, a destituição de governos de Esquerda e o soerguimento do neoliberalismo, parece não deixar dúvidas de que, utilizando-se das forças burguesas conservadoras, os Estados Unidos estão presentes.


No Paraguai o presidente Lugo foi destituído por um vergonhoso golpe parlamentar, na Argentina o investimento para a eleição de Macri não foi tão discreta. Na Bolívia Evo Morales não poderá mais ser (re)eleito e dificilmente fará o seu sucessor, assim como, também no Peru, os investimentos para que a direita retome o poder são enormes. A Venezuela está em frangalhos graças a luta ideológica que está chegando às vias de fato, justamente quando na Colômbia se consegue alcançar a paz.


É bom salientar que quando falo em intervenção norte-americana refiro-me não somente às agências governamentais, a exemplo da CIA, mas também e principalmente às forças aglutinadas pela plutocracia. Trump é o mais claro exemplo da ascendência da extrema Direita nos Estados Unidos e mundo afora.


No Brasil não podemos desprezar o crescimento da extrema Direita, mas devemos centrar nossa atenção em outras correntes que tentam nos levar de volta ao passado com a reimplantação do neoliberalismo em nosso país. A plutocracia brasileira comandada pelos banqueiros e grandes conglomerados industriais, há tempos conduz a política do PSDB e agora também do PMDB. O PSDB já implantou o neoliberalismo no governo FHC, sucateando as Universidades Públicas, entregando as empresas públicas brasileiras para o capital internacional, quebrando o Brasil três vezes, colocando nosso país à mercê do FMI, além de deixar boa parte de nosso povo em extrema pobreza.


Quanto ao PMDB, já foi um partido com forte vocação nacionalista, mas nesse momento histórico, vislumbrando a possibilidade de ascender ao poder, esqueceu-se de sua história para aliar-se ao PSDB na aplicação do neoliberalismo, essa nova fase da política econômica capitalista que nega o estado de bem-estar social para valorizar a meritocracia, ignorando políticas públicas que beneficiem os despossuídos.


Nosso país, um gigante Ocidental, exercitando o soft power (poder brando) estava transformando-se em grande liderança regional e sendo reconhecido mundialmente pela sua política de inclusão social. Aliado à China, Índia, Rússia e África do Sul (BRICS), transformou-se no bastião (muralha) que, de certa forma, contribuía significativamente para o desenvolvimento harmonioso da sul-américa, apesar da crise.


Lamentável, mas com Temer, a muralha está sendo destruída, tijolo por tijolo.


Membro da Academia Douradense de Letras. e-mail: [email protected]

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