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Segurança e Saúde JBS
Opinião

A fronteira será sempre altiva e digna!

01 Jul 2016 - 06h00
O espetáculo de horror que a fronteira assistiu atônita dias atrás, mostrou erroneamente para o mundo inteiro uma fotografia que não reflete em nada a realidade da esmagadora maioria das nossas famílias.


O nosso povo nos dois lados da fronteira é altivo, digno, alegre e festivo. Tem um passado de heroísmo, de bravura e de patriotismo deixado pelos seus antepassados. Eles estão sepultados em nossos campos santos. Esse legado não pode ser destruído de uma ora para outra. Ele foi construído com muito suor e lágrimas. Isso não é pouca coisa. Representa muito para a vida de dois povos que se confundem com um só em face da sua linha divisa que não tem nenhum tipo de fiscalização para controlar a entrada e saída de pessoas de um país para o outro. Sempre foi assim dizem os mais antigos. Algo inédito em um mundo cercado de violência.


A vocação religiosa da esmagadora maioria da sua população chancela esse entendimento escorreito, claro e bastante objetivo que sempre privilegiou o altruísmo, a solidariedade e o respeito como fundamentos sólidos de uma sociedade que grita fortemente pela vida repleta de alegria e de conquistas justas.


Com essas considerações substanciosas, resta dizer que o móvel do fato que assustou a todos não é privilégio da nossa região geográfica. O tráfico de drogas, armas e munições é milenar e sempre levou para se constituir em seus principais protagonistas governos, povos, raças e nações pelo mundo inteiro. Nesse embate titânico nem a vitória nem a derrota sorriram para os seus contendores em prejuízo evidente da população ordeira, que a tudo assiste sem esboçar nenhuma reação.


Uma situação previsível, se levarmos em consideração a nossa enorme extensão territorial praticamente abandonada e que as nossas instituições muito pouco podem oferecer para a nossa segurança. Mas nesse quadro preocupante o que não pode acontecer são famílias serem alcançadas pelos atos de pura sandice. Todos os agentes políticos em todos os níveis de governo tem conhecimento da nossa fragilidade nessa área e nada fazem.


O nosso Município tem em sua estrutura administrativa uma secretaria de Segurança Pública, mas inócua. Um verdadeiro cabide de emprego. Seus integrantes não estão preparados para esse tipo de ação.
O sistema de vigilância aérea, que deveria estar em operação na área de fronteira se transformou em um verdadeiro engodo do tamanho exato da inteligência de quem o criou. Não saiu do papel. Ficou só na boa vontade.


A legislação federal deu às Forças Armadas o Poder de Polícia para realizar o patrulhamento, revista de pessoas, veículos, embarcações e aeronaves e prisão em flagrante. E afiançou que essas ações são permitidas tanto nas fronteiras terrestres quanto nas águas internas e marítimas.


Deixando de lado as interpretações doutrinarias sobre o tema o certo é que diante de um estado federal falido, e do estadual que resulta impotente para o enfrentamento da questão o nosso Exército poderia oferecer uma presença mais forte, com a sua tropa nas ruas para garantir a segurança dos seus nacionais. Se isso não for possível a fronteira precisa continuar confiando nas suas instituições que estão funcionando mas, sobretudo na força da iniciativa privada que, dia após dia, constrói a sua grandeza material e concomitantemente lança as bases sólidas para a sua humanização.

Promotor de Justiça aposentado. e-mail: [email protected]

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