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Vereador indígena defende que PF investigue indústria da invasão de propriedades

16 Mar 2016 - 06h00
Vereador defende que Polícia  Federal investigue quem está por trás das  ocupações de áreas nas imediações da Reserva Indígena e  alerta as autoridades  sobre estranhos. - Crédito: Foto: Marcos RibeiroVereador defende que Polícia Federal investigue quem está por trás das ocupações de áreas nas imediações da Reserva Indígena e alerta as autoridades sobre estranhos. - Crédito: Foto: Marcos Ribeiro
O vereador indígena Aguilera de Souza (PSDC) classificou ontem como "muito importante" as denúncias feitas pelo cacique guarani Renato Machado, uma das principais lideranças da Reserva Indígena de Dourados, sobre uma manipulação nas invasões de propriedades vizinhas às aldeias. "Li a matéria antes de sair de casa e posso afirmar que essa situação preocupa muito as famílias da Reserva Indígena de Dourados, mesmo porque não concordamos com essas ocupações", enfatizou Aguilera de Souza em entrevista por telefone. Ele passou o dia ontem em Ponta Porã e retornaria para Dourados somente no período da noite.


Um dia antes, durante a sessão da Câmara Municipal de Dourados, o vereador ocupou a tribuna para cobrar uma investigação séria da Polícia Federal (PF) sobre a presença de famílias indígenas de outros municípios e até de outras etnias nas ocupações de áreas particulares em Dourados. "A Polícia Federal precisa investigar isso, porque essas pessoas vem de outras localidades e acaba passando para a sociedade a impressão que as ocupações estão partido das famílias indígenas de Dourados", ressaltou o vereador.




Na visão do parlamentar douradense, está em curso uma "indústria de invasão" que não resolverá a falta de terras para as famílias que queiram produzir para viver do próprio sustento. "Também precisamos destacar que a violência é muito elevada entre as comunidades indígenas e que o sangue dos povos está nas mãos de toda sociedade a partir do momento em que o Estado não se preocupa em desenvolver políticas públicas voltadas para nossa gente", desabafou Aguilera de Souza.


Na tarde de ontem, a deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), presidente da CPI do Cimi na Assembleia Legislativa, classificou como graves as denúncias feitas pelo cacique guarani Renato Machado em entrevista exclusiva ao O PROGRESSO. A liderança afirmou que as invasões de 14 áreas urbanas às margens da Perimetral Norte, não representam a vontade das lideranças das Aldeias Bororó e Jaguapirú. "Ali tem professores de Amambai, diretora de escola, professores e servidores de universidade e até funcionário público que estão querendo apenas um terreno", denunciou Renato. "Minha preocupação é que essas invasões acabem provocando discriminação da sociedade douradense com os povos indígenas, mesmo porque convivemos pacificamente com a população e nunca invadimos terra de ninguém", completou o líder indígena.


O deputado Zé Teixeira classificou como muito grave a denúncia que as invasões de sítios e pequenos lotes às margens da Perimetral Norte não partiram da comunidade e estão sendo orquestradas por pessoas de outras aldeias e funcionários de ONGs que incentivaram a invasão. "Fiquei estarrecido ao ler que os líderes das invasões chegaram a procurar as lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó em busca de apoio para as ocupações", ressaltou Zé Teixeira.


Mara Caseiro, 3ª vice-presidente da Assembleia Legislativa, também comentou a denúncia. "O cacique Renato Machado afirmou que se fosse identificada cada pessoa responsável pelas ocupações, as autoridades saberiam quem é da reserva indígena e quem veio de fora", alertou a deputada.


A deputada defende que a Assembleia Legislativa colha o depoimento de lideranças como Renato Machado para esclarecer as invasões. "Temos que ouvir essas vozes de indígenas indignados com a essa situação instalada não apenas em Dourados, mas em tyodo o Mato Grosso do Sul", completou. "Devemos chamar esse cacique para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pois contribuirá muito para nossa investigação imparcial e responsável", destacou Mara Caseiro.

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