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“Tudo era muito mais difícil, mas eu amava lecionar”

18 Dez 2015 - 10h00
A pioneira Eva Machado diz que nunca imaginaria que Dourados se tornaria uma cidade tão desenvolvida como é hoje. - Crédito: Foto: Marcos RibeiroA pioneira Eva Machado diz que nunca imaginaria que Dourados se tornaria uma cidade tão desenvolvida como é hoje. - Crédito: Foto: Marcos Ribeiro
“Quando a gente vê o progresso e como esta cidade cresceu, lembro-me da minha juventude, quando comecei a dar aulas. Tudo na época era muito mais difícil, mas amava lecionar”, relembra a professora aposentada Eva Machado de Menezes, que completou 86 anos no mês de novembro. Parte de uma vida dedicada à educação e muita história para contar, esse é o perfil da pioneira Eva Menezes, que cresceu junto com a cidade de Dourados.


Ela nasceu em Ponta Porã, mas mudou-se com a família para Dourados ainda pequena, aos sete. Filha do pioneiro Antônio Machado da Costa Lima e Belonizia Gonçalves de Freitas e com a memória extremamente afiada, Eva relata ao O PROGRESSO parte de sua história que se mescla à de Dourados.


A pioneira, que é tia de um dos douradenses mais ilustres, o desembargador Eduardo Machado, começou a carreira na educação em 1945, aos 18 anos, na Colônia Agrícola Federal, em uma escola no Potreirito.


Ela foi contratada como professora leiga para dar aulas porque tinha um bom nível de alfabetização. A professora conta que, na época, era muito raro estudar. Faculdade só existia em Campo Grande e a dificuldade de transporte tornava quase impossível frequentar curso superior. “O único meio de transporte que tínhamos era uma jardineira velha”, lembra. Até para chegar à escola na Colônia Federal para lecionar era difícil, tinha que se deslocar a cavalo. Depois dessa primeira experiência como professora na Colônia Federal, Eva passou a dar aulas em escolas da cidade.


Em Dourados, ela passou pelas escolas Joaquim Murtinho, Castro Alves, Osvaldo Cruz e Nelson de Araújo. Neste meio tempo, também lecionou numa escola na Picadinha, na Fazenda Bonilha. Na década de 60, Eva foi diretora do Lar Santa Rita por um ano. Lá também lecionava para as crianças internas.


Na época, o nível de escolaridade da professora aposentada era o ginásio, que hoje é comparado ao ensino fundamental (5° ao 9° ano). “Minha mãe foi muito inteligente e fazia com facilidade exercícios de matemática e língua portuguesa, por isso era bastante requisitada”, conta a filha dela, Rosângela Machado, que acompanhou a entrevista da mãe ao Jornal O PROGRESSO.


O último exercício de Eva como professora foi na década de 70, já com os filhos adolescentes. Ela deu aulas no então Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), substituído pelo hoje Educação de Jovens e Adultos (EJA) em uma sala da Igreja Santo André, localizada no Jardim Santo André.

Santo André


Eva Machado, sem querer, acabou fazendo parte da história do Jardim Santo André. Foi ela quem sugeriu o nome da Igreja em homenagem ao primeiro morador daquela região, que se chamava “André Picunta”. Futuramente, aquela região se tornaria o “Jardim Santo André”, por causa da igreja.


Eva lembra que quatro dos cinco filhos (Antônio Giovani, 54; Roselle Leane, 51; Rosângela Machado, 50, e Rosenda Syglia, 49) nasceram no Jardim Santo André, onde a família morou por muitos anos. Apenas a mais velha, Rógina Maria, 58 anos, nasceu na colônia.


Eva lembra de detalhes que muitas pessoas mais antigas não recordam, como a implantação do Cruzeiro, que fica na Rua João Cândido Câmara com Monte Alegre. “Naquele lugar, onde foi instalado o Cruzeiro, era para ser a Igreja Matriz Imaculada Conceição, mas acabou sendo construída em frente a Praça Antônio João, onde futuramente me casei. Naquela época, era uma igreja bem singela”, comenta.


Ela lembra que o Cruzeiro foi feito com toras em uma serraria que ficava na Rua Cuiabá e depois levado por pioneiros, como Aurides Pinto de Menezes (marido dela), até o local onde está hoje, numa área doada pelo pioneiro Antônio Tonani, na década de 50.


A pioneira conta ainda que conheceu Weimar Torres que, na época, ainda era muito jovem, cuja família tinha jornal em Ponta Porã e que, futuramente, seria ‘revivido’ em Dourados - O PROGRESSO.


Conheceu também a família Amaral, o patriarca Vlademiro Muller do Amaral e a esposa, Umbelina, pais da diretora-presidente do Jornal O PROGRESSO, Adiles do Amaral Torres. “Naquela época, Adiles era uma mocinha loirinha e tão bonitinha”, relembra, com carinho, Eva Machado.


A professora recorda daqueles tempos, em que não existiam luz elétrica, carros ou bicicletas e fala da Dourados de agora: “uma cidade tão desenvolvida; a segunda maior do estado e uma das que melhor oferece qualidade de vida para o seu povo”, conclui Eva Machado de Menezes.

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