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Editorial

Trânsito de Dourados

24 Nov 2015 - 08h38Por Do G1



Os índices de acidentes no trânsito de Dourados com vítimas fatais nos meses de setembro e outubro deste ano aumentaram 50% na comparação com as ocorrências registradas entre janeiro e agosto deste ano. Até o final de agosto, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) havia registrado 24 acidentes com mortes, mas somente em setembro e outubro foram mais 12 óbitos, elevando o total para 36 vítimas fatais. No mês de setembro foram nove mortes no trânsito, sete delas em consequência de acidentes em cruzamentos dentro do perímetro urbano de Dourados e, das nove vítimas fatais, quatro foram motociclistas. Significa que a Prefeitura de Dourados precisa firmar parcerias urgentes com o governo do Estado para remodelar o trânsito no perímetro urbano da cidade e, com isso, impedir que o sistema viário do município entre em colapso nos próximos anos, elevando cada vez mais os índices de acidentes fatais. Fica a sugestão para que Estado e município, por meio de convênio específico, criem grupos de trabalho para solucionar os problemas no trânsito de Dourados.

A situação é complicada e a problemática do trânsito douradense não está recebendo das autoridades municipais e estaduais a atenção que deveria receber, mesmo porque a cidade tem uma frota de mais de 135 mil veículos, recolhe uma gigantesca soma em Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) e não tem recebido do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) a contrapartida que tem direito. Soma-se ao IPVA os valores igualmente gigantescos que são arrecadados todos os meses com a cobrança de taxas, de licenciamento, de multas e de transferência, fica a convicção que não deveria faltar dinheiro para investir em engenharia de tráfego, único caminho capaz de reduzir os índices alarmantes de mortes no trânsito e acabar com os gargalos que fazem com que, por exemplo, um motorista tenha que esperar quase 10 minutos para atravessar o cruzamento da rua Firmino Vieira de Matos com a avenida Marcelino Pires em horário de pico. Em alguns pontos de Dourados a situação é tão crítica quanto a existente na área central, com destaque para as ruas Monte Alegre, Ponta Porã e Joaquim Teixeira Alves, onde o tráfego intenso acaba favorecendo acidentes que poderiam ser prevenidos com a instalação de semáforos e redutores de velocidade.

O fato é que as mudanças levadas a efeito pelo poder público municipal no trânsito de Dourados, com a remoção de rotatórias, instalação de novos semáforos, reforço na sinalização horizontal e vertical, além de mudanças na mão de direção, não estão sendo suficientes para humanizar o trânsito, pelo contrário, o número de acidentes não para de crescer e cada vez mais pessoas perdem a vida nessas tragédias urbanas. Números do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) revelam que entre janeiro a outubro de 2015 o trânsito de Dourados foi palco para acidentes que causaram 36 mortes e deixaram dezenas de feridos, a maior parte em estado grave, já que mais de 80% dessas ocorrências envolvem pedestres e motociclistas. Uma questão é inegável: falta educação, sobretudo, para o motorista que trafega pelas ruas de Dourados. É raro testemunhar a situação onde o condutor para o carro para dar preferência ao pedestre que tenta atravessar na faixa, pelo contrário, os veículos avançam os cruzamentos e obrigam as pessoas a se aventurarem para cruzar uma via urbana.

Ao mesmo tempo, não é pequeno o número de pedestres que atravessa fora da faixa e fica exposto a um perigo ainda maior, já que os condutores, muitas vezes, não conseguem evitar o atropelamento. Talvez tenha passado da hora de o poder público municipal instalar limitadores de velocidade nas principais ruas e avenidas de Dourados, com destaque para a Hayel Bon Faker, Joaquim Teixeira Alves, Monte Alegre, Ponta Porã, Weimar Gonçalves Torres e, sobretudo, na Marcelino Pires. A quase totalidade dos motoristas trafega por essas vias em velocidade incompatível com a via urbana, o que acaba favorecendo os acidentes de trânsito, ceifando vidas e causando prejuízos incomensuráveis para a sociedade. A maioria das cidades desenvolvidas dotou suas avenidas de radares que limitam em, no máximo, em 60km/h a velocidade e Dourados deve copiar essas iniciativas. Com uma frota de 135 mil veículos, sendo 45 mil motocicletas e motonetas, além de ser polo regional para 804.708 habitantes que formam a Grande Dourados, o município precisa adotar medidas urgentes para humanizar o trânsito e torná-lo ainda mais seguro à sociedade.

O número

36 pessoas perderam a vida em acidentes fatais no trânsito de Dourados de janeiro a outubro de 2016, sendo que nos últimos dois meses foram 12 mortes.

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