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Editorial

Tragédias no Trânsito

09 Nov 2015 - 07h00



O trânsito brasileiro segue matando mais que qualquer guerra civil em todo o planeta, tanto que em 2010 foram registradas 42.844 mortes em acidentes de trânsito no país e no ano passado foram 48.349 óbitos, numa média de 4.029 mortes por mês, 132 mortes por dia e 6 mortes por hora, ou seja, uma a cada 10 minutos. O relatório Global Status Report on Road Safety 2014, realizado pela Organização das Nações Unidas, mostra que o Brasil tem o quarto trânsito mais violento entre os 183 países que formam a ONU, ficando atrás somente da China, Índia e Nigéria. O mais preocupante é que os números de 2014 são 8% superiores aos apurados em 2013 e, muito provavelmente, serão 8% inferiores ao total de vidas que se perderão no trânsito até o fim deste ano, já que essa triste estatística não para de crescer em todas as regiões do país e, pasmem, o total de 48.349 mortes no trânsito em 2014 foi o maior número em 20 anos, comprovando que as estradas e ruas brasileiras matam mais que qualquer guerra. Para cada pessoa que morre no trânsito, os hospitais precisam abrir, em média, três leitos para receber os feridos, tanto que o número de internações por acidente em 2014 bateu na casa dos 160 mil, volume 15% maior que o apurado no ano anterior.

O governo, ao mesmo tempo em que apurou os números, já tratou de encontrar um culpado para essa tragédia urbana: os motociclistas, já que pela primeira vez na história morreram mais condutores de motocicletas que pedestres, mostrando a vulnerabilidade desse tipo de veículo. Os especialistas em trânsito, por sua vez, jogam a culpa nos ombros do próprio governo e da legislação, primeiro porque a Lei Seca, que nasceu cheia de boas intenções e, num primeiro momento, chegou a reduzir o número de mortes no trânsito, acabou sendo sugada pelo ralo da impunidade e hoje são poucos os Estados que realizam operações com base na legislação.

Resultado: a embriaguez é uma das principais causas de acidentes no trânsito e a cada final de semana surge uma tragédia onde o condutor totalmente tomado pelo álcool atropela e mata pessoas inocentes. Por outro lado, ações do próprio governo federal, como a lei que regulamentou a profissão de mototaxista e os incentivos fiscais para a compra de motocicletas e carros, em detrimento do transporte coletivo, também favorecem o aumento no número de acidentes no trânsito.

Os números apurados pelo Ministério da Saúde foram apresentados no Rio de Janeiro, durante o Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado pela Associação Nacional de Transportes Públicos, onde os técnicos também incluíram entre as explicações para a alta do número de vítimas, o relaxamento na aplicação da Lei Seca. O fato é que o momento não é para se procurar culpados por essa tragédia urbana, onde 132 pessoas perdem a vida todos os dias no trânsito brasileiro, mas sim para atacar o problema de frente, buscando soluções para esse verdadeiro caos. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez as contas e constatou que os impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras são terríveis tanto para o Estado, quanto para o contribuinte e para os familiares das vítimas. Parece exagero, mas um acidente de trânsito sem vítimas tem custo médio de R$ 16.840,00, enquanto um acidente com ferido tem custo médio de R$ 80.032,00 e um acidente com morte tem um custo médio de R$ 418.341,00.

É fato que a presença maior de motociclistas no trânsito favorece a ocorrência de acidentes, mas também é inegável que a culpa não é exclusiva de quem conduz uma motocicleta. Mesmo assim, o Mapa da Violência 2014: Acidentes de Trânsito, revela que o aumento nas ocorrências com motociclistas fez com que as mortes no trânsito crescessem 27,5% em todo o Brasil entre 2000 e 2013, e, pasmem, no mesmo período as mortes ocorridas em acidentes de motos cresceram 847%, enquanto o volume de mortes de ciclistas aumentou 316%.

A situação envolvendo motociclistas é preocupante, mesmo porque em 2000, os acidentes com motos deixaram 1.156 mortos em todo o Brasil, enquanto em 2013, ou seja, 13 anos depois, esse número saltou para 11.268. Em pouco mais de uma década o número de mortes de pedestres e condutores de automóveis caiu em todo o país enquanto com as motocicletas ocorreu o oposto, tanto que o risco de morte cresceu mais do que a própria frota, afetando principalmente a população entre 18 e 24 anos do sexo masculino, justamente a faixa etária que se considera imortal.

O número

48.349 pessoas perderam a vida no trânsito em 2014, numa média de 4.029 mortes por mês, 132 mortes por dia e 6 mortes por hora, ou seja, uma morte a cada 10 minutos.

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