Dourados – MS terça, 15 de junho de 2021
Dourados
27º max
11º min
Editorial

Temporada de Queimadas

30 Jul 2016 - 06h00
Temporada de Queimadas -
Números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que o Brasil registrou 40,4 mil focos de incêndio de janeiro até ontem, a segunda maior quantidade de queimadas da série histórica montada pelo instituto desde 1998 para o período de janeiro a julho e perdendo apenas para o mesmo período de 2004 quando quase 49 mil focos de queimadas foram registrados. Mesmo com esse volume recorde de queimadas, o governo federal tem retido os recursos reservados em orçamento para iniciativas de fiscalização, monitoramento e prevenção à incêndios florestais, tanto que para este ano estão previstos gastos de R$ 88,9 milhões nesta área, valor 70% menor que o investido no ano passado quando foram reservados R$ 290,7 milhões. Significa dizer que o valor disponibilizado em orçamento em 2016 equivale a um terço do previsto para 2015, comprovando que o governo federal não tem qualquer compromisso com um problema que atinge não apenas o meio ambiente, mas compromete todo o ecossistema e causa prejuízos imensuráveis à saúde da população.


Prova disso é que além do valor autorizado ser muito menor que o anterior, a execução das iniciativas também caminha a passos lentos, tanto que até junho deste ano apenas 54% dos recursos previstos foram empenhados, enquanto a verba efetivamente paga atingiu a soma R$ 43,2 milhões, cerca de 49% do total autorizado. Ademais, de 2015 para 2016 ocorreram mudanças no arranjo das ações e programas orçamentário do governo federal fazendo com que o programa florestas, prevenção e controle do desmatamento e dos incêndios vivesse uma situação complicada: mesmo sem dotação autorizada para 2016 a rubrica ainda tem recursos de restos a pagar. Os programas fiscalização ambiental e prevenção de combate a incêndios florestais; monitoramento ambiental, prevenção e controle de incêndios florestais; monitoramento da cobertura da terra e do risco de queimadas e incêndios florestais; e construção da sede do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, também sofrem com cortes e os restos a pagar não encontram dotação orçamentária disponível no Ministério do Meio Ambiente.


O descaso do governo com o combate às queimadas vem de longe. Entre 2010 e 2015, cerca de R$ 1,3 bilhão foi autorizado para o orçamento de iniciativas relacionado aos problemas, mas um terço dos recursos não foram utilizados no período. Neste ano, a ação com mais recursos para é a de Monitoramento Ambiental, Prevenção e Controle de Incêndios Florestais, que tem orçamento de R$ 54,3 milhões, mas investiu apenas 9,3% desse total até o momento, prejudicando a estruturação do Ibama com equipamentos e insumos, bem como o apoio a montagem de salas para o controle de queimadas e incêndios florestais junto às demais esferas governamentais. O mesmo ocorre com a ação Monitoramento da Cobertura da Terra e do Risco de Queimadas e Incêndios Florestais, que recebeu apenas 9% do orçamento prometido para este exercício, prejudicando o monitoramento e a detecção de focos, avaliação e previsão de risco de fogo, estimativas regionais da área queimada e da severidade da queimada, e disseminação efetiva das informações aos usuários. Já a construção da Sede do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), que tem orçamento de R$ 4,5 milhões, não aplicou um único centavo até o momento.


Enquanto isso, a população brasileira sofre na pele os efeitos dos ataques indiscriminados ao meio ambiente. O índice de poluição por ozônio, provocado sobretudo pelos mais de 40 mil focos de queimadas no primeiro semestre, está atingindo recorde históricos no Brasil e já compromete a saúde dos moradores dos grandes centros urbanos. Estudos liderados pela Organização Não-Governamental World Wildlife Fund (WWF) revelam que as queimadas provocam e agravam problemas de saúde em todas as populações, independente de idade, classe social, etnia ou escolaridade. Além desses problemas, a poluição agrava o efeito estufa que tem causado aumento na temperatura do planeta, penalizando, sobretudo, o ecossistema. O estudo alerta que as mudanças climáticas provocarão elevação nas temperaturas; diminuição das chuvas no Norte e Nordeste; aumento de chuva no Sul e Sudeste; elevação dos gases do efeito estufa em todas as regiões, com maior volume no Sudeste e, por consequência, elevação do aquecimento global. Mesmo diante desses alertas o governo reduz os investimentos em prevenção e ainda não aplica o pouco recurso assegurado em orçamento. Lamentável!

Deixe seu Comentário

Leia Também

Presidente do Senado cobra ajuda para salvar empresas
Comitê da Pandemia

Presidente do Senado cobra ajuda para salvar empresas

15/04/2021 14:30
Presidente do Senado cobra ajuda para salvar empresas
Últimas Notícias