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Crise

Sem gado para abate, pequenos frigoríficos demitem de 200 empregados em MS

05 Ago 2016 - 13h38
Sem gado para abate, pequenos frigoríficos demitem de 200 empregados em MS -
Pequenos frigoríficos de Campo Grande e região demitiram esta semana cerca de 200 empregados devido à falta de oferta de gado para abate. Eles reclamam dos grandes frigoríficos que, com financiamentos subsidiados pelo Governo, efetuam compras das ofertas até para o mercado futuro, deixando-os sem outra opção senão a de enxugar indústria. A informação é de Rinaldo Salomão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Campo Grande – STIAA.


"Nosso sindicato, com sede em Campo Grande, efetuou esta semana em torno de 200 homologações trabalhistas. Lamentamos isso nesse período de crise econômica nacional, onde o desemprego já ultrapassa 12 milhões de trabalhadores", afirmou Rinaldo.


O sindicalista afirma que estamos atravessando um período de estiagem, onde as pastagens são reduzidas e, consequentemente, o gado perde peso. Com isso o fazendeiro deixa de vender para o frigorífico, ficando na espera das chuvas para a engorda do boi. "Até lá, lamentavelmente temos esse quadro que poderia ser evitado se houvesse uma intervenção do governo em apoiar também os pequenos frigoríficos que abatem mais para o consumo interno", explica Rinaldo.


OTIMISMO – Apesar desse atual quadro de queda na oferta de gado para abate, nesse período de entressafra, Rinaldo Salomão se diz otimista com o futuro da carne em Mato Grosso do Sul. Ele acredita que pelo menos 13 frigoríficos do Estado que estão fechados ou operando com baixíssima produção, vão voltar ainda neste semestre a abater, para atendimento principalmente do mercado externo que está "ávido" pelo produto brasileiro.


Além disso, segundo o líder sindical, a medida tomada pela União Européia (EU), que decidiu, em junho deste ano, ampliar para todo Mato Grosso do Sul, a partir de 1º de julho, a área autorizada para exportar carne bovina "in natura" para os países do bloco econômico, vai começar a apresentar resultados positivos em termos de emprego e renda no MS, afirma Rinaldo.

"Hoje temos frigoríficos fechados ou com produção de carne reduzidíssima em cidades como Dourados (e região), Ponta Porã, Corumbá, Caarapó, Amambay, Iguatemi, Nioaque e Porto Murtinho", afirma o sindicalista, que pede um empenho maior dos governos com os empresários, para que a reabertura e o fortalecimento dessas unidades de abates e exportação, sejam readequados para atender o mercado externo.


A boa notícia da ampliação de municípios do Estado, aptos para exportar para a comunidade europeia, divulgada pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa), deverá devolver os empregos perdidos em Campo Grande e interior do Estado. "Até lá, precisamos atravessar esse período de entressafra para que o mercado comece a se recuperar", afirma, esperançoso, o líder sindical.

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