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Editorial

Rigor necessário

08 Jan 2016 - 11h09
Alguns classificam de folgados, outros de abusados. São alguns dos adjetivos atribuídos aqueles motoristas que não respeitam as vagas destinadas a idosos e cadeirantes. Para pessoas mal acostumadas neste sentido o ano de 2016 está um pouco mais tenso porque a multa triplicou. O valor passou de R$ 53,20 para R$ 127,69, ou seja, e ainda por cima o condutor perde cinco pontos na carteira de habilitação e o veículo pode ser removido pela autoridade de trânsito. A infração passou a ser grave. A mudança está em vigor deste dois de janeiro quando passou a vigorar o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Também está prevista reserva de no mínimo 2% das vagas em estacionamentos públicos para pessoas com deficiência e no mínimo uma vaga em estacionamentos menores. Os locais devem estar devidamente sinalizados e os veículos deverão conter credencial para o beneficiário fornecida pelos órgãos de trânsito. Caso houvesse mais educação no trânsito tudo isso seria desnecessário, pois já existe a proibição de estacionar nestas vagas exclusivas. Mesmo assim os abusos continuaram.


Se houvesse consciência por parte da maioria dos cidadãos somente uma advertência nestes casos já estaria de bom tamanho. Mas acontece que a falta de respeito está em toda parte e em todos os momentos. A desculpa é sempre a mesma: vou sair rapidinho, estou só esperando alguém e assim o jeitinho brasileiro vai ganhando espaço nesta tão conturbada convivência no trânsito.


A lei veio em boa hora, mas não está de bom tamanho, porque a multa para quem comete este tipo de infração deveria ser de no mínimo R$ 2.000,00. Além da multa o veículo teria que ser apreendido e liberado somente após o motorista participar e concluir um para aprender noções de respeito à pessoa idosa e as pessoas e cadeirantes. Aliás, o respeito no trânsito deve ser geral, o respeito mutuo cabe em qualquer lugar, mas acontece que os cadeirantes e idosos necessitam de atenção especial na hora de estacionar porque evidentemente tem suas limitações.


Em pleno século XXI discutir a obrigação de cada cidadão em manter o respeito pelas pessoas idosas e com deficiência parece chover no molhado. Impor multas pesadas, criar leis neste sentido não teria sentido se o respeito e a consciência de cada um estabelecesse normas próprias, ou seja, normas de conduta pessoal.
O Estatuto não é tudo. Falta a fiscalização, a efetividade da lei para completar essas normas. Mas infelizmente a grande maioria dos municípios brasileiros não contam com um numero de agentes suficientes para estar em todos os lugares, a todo momento aplicando a multa.


Em Dourados, por exemplo, existe a Agetran (Agência Municipal de Trânsito), criada exatamente com autonomia para a fiscalização de trânsito. Mas são poucos fiscais para tanto desrespeito no trânsito e infelizmente além da questão dos idosos e os cadeirantes existem inúmeras outras infrações que são cometidas a todo instante. É o motorista que fura o sinal, estaciona de maneira irregular, ultrapassa irregularmente, dirige falando ao celular, sem usar o cinto de segurança, além de se não respeitar a faixa de pedestre avançando sobre a mesma.


Infelizmente com o aumento no numero de veículos que superlotam diariamente o perímetro urbano a concorrência para estacionar também aumentou. Incrível como a correria do dia a dia causa a impressão de que todos estão descontrolados a todo momento e é em meio a essa correria que acabam invadindo faixa de pedestre, vagas exclusivas para idosos e cadeirantes e assim vão atropelando as normas de trânsito e também da boa convivência.


O maior problema é a falta de educação mesmo. Quem não se comporta no trânsito e constantemente é multado não está preparado para enfrentar os desafios que a vida impõe a cada dia. O chamado mundo moderno, globalizado, onde as pessoas não podem perder tempo, porque tempo é dinheiro, não lhe dão o direito de atropelar as normas de trânsito, de achar que o espaço urbano é livre para fazer o que bem entender. É preciso conviver bem em sociedade e o trânsito existe para disciplinar o cidadão e não para tumultuar pequenas, médias e grandes cidades.


Além da multa outra maneira de se fazer valer o respeito é uma regra chamada constrangimento. Na Rússia, por exemplo, uma ONG criou uma campanha em que um holograma de um cadeirante aparece para assustar quem tenta parar nas vagas especiais.

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