Dourados – MS quarta, 16 de junho de 2021
Dourados
26º max
13º min
Editorial

Reforma da Previdência

19 Mai 2016 - 06h00
Reforma da Previdência -
O presidente Michel Temer começa a fazer os enfrentamentos necessários para recolocar o país nos eixos e, mais importante, para garantir que a nação tenha tranquilidade para seguir crescendo pelas próximas décadas. Neste sentido, o governo realizou ontem a primeira reunião do grupo de trabalho integrado por centrais sindicais para discutir a reforma da Previdência Social e, neste primeiro momento, os sindicalistas conheceram a realidade da previdência brasileira e agora terão até o dia 26 de maio para apresentar suas sugestões enquanto o Palácio do Planalto terá até o dia 3 de junho para avaliar e apresentar seu posicionamento sobre medidas para recuperar a Previdência Social. Além de buscar a sustentabilidade da previdência, garantindo que os futuros aposentados receberão seus benefícios em dia, a equipe econômica também definiu que os direitos adquiridos previstos pela Constituição Federal não serão violados na reforma previdenciária. O bom senso fez com que o governo envolvesse setores representativos dos trabalhadores na discussão sobre a reforma da Previdência, o que tranquiliza um pouco mais a classe laboral.


As propostas estão sendo elaboradas por representantes da Força Sindical, Central dos Sindicatos Brasileiros (CSP), União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Neste primeiro momento o governo está debatendo temas como idade mínima para aposentadoria, sustentabilidade da Previdência Social, igualdade de sexo e a data da vigência das medidas a serem adotadas após a aprovação das propostas. Em relação a idade mínima, o governo pretende fazer com que a partir de 2026 ninguém mais se aposente com menos de 65 anos de idade, ou seja, mesmo que comece a trabalhar aos 16 anos, que é a idade permitida pela legislação, o brasileiro somente terá direito a aposentadoria ao completar 65 anos, de forma que terá que contribuir durante 49 anos para ter o direito de desfrutar do benefício na aposentadoria. Essa medida é necessária porque hoje um grupo seleto consegue se aposentar aos 50 anos, enquanto a maioria tem acesso à aposentadoria somente após 55 ou 60 anos de idade e quase 40 anos de contribuição.


Neste cenário, Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada ontem revela que 75% dos brasileiros preferem mudanças nas regras da aposentadoria para garantir a sustentabilidade do regime. Exatos 65% da população declararam apoiar as mudanças na idade mínima para aposentadorias por tempo de contribuição e outros 72% disseram apoiar a equiparação das regras para todos os trabalhadores, ainda que ocorrem em idades mais avançadas. Ficou claro uma profunda mudança no comportamento da sociedade brasileira, já que em 2007 apenas 31% dos entrevistados diziam que os trabalhadores deveriam se aposentar com mais de 55 anos de idade, enquanto na pesquisa atual esse percentual saltou para 48% dos entrevistados. Mais; a parcela dos que entendem que a aposentadoria deve ocorrer depois dos 60 anos subiu de 8%, em 2007, para 17% neste ano. Além da população, setores empresariais e industriais defendem que a reforma do sistema previdenciário estabeleça uma idade mínima para aposentadorias por tempo de contribuição e de isonomia entre trabalhadores sob a alegação que essa medida é fundamental para equilibrar as contas públicas.


Essas mudanças se fazem necessárias em virtude do envelhecimento da população brasileira e do aumento da expectativa de vida. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a expectativa de vida dos brasileiros aumentou para 75 anos e dois meses em 2015, média três meses e 18 dias superior à apurada em 2014, que era de 74,9. Outro detalhe é que as mulheres vivem em média 7,2 anos a mais que os homens, com uma expectativa de 78,8 anos, contra 71,6 anos para eles, porém, em 2015 a estimativa masculina aumentou mais, com um acréscimo de três meses e 25 dias, contra três meses e 11 dias para as mulheres. Na geografia da longevidade, o Estado de Santa Catarina apresentou a maior expectativa de vida, de 78,4 anos, com os homens catarinenses passando a ter expectativa de vida de 75,1 anos, e as mulheres, 81,8 anos. Em segundo lugar na tábua da vida está o Distrito Federal, com expectativa média de 77,6 anos, seguido pelo Espírito Santo, com 77,5. Somente a reforma da Previdência Social poderá garantir uma velhice melhor.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Presidente do Senado cobra ajuda para salvar empresas
Comitê da Pandemia

Presidente do Senado cobra ajuda para salvar empresas

15/04/2021 14:30
Presidente do Senado cobra ajuda para salvar empresas
Últimas Notícias