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Editorial

Ranking negativo

28 Jan 2016 - 09h47
Infelizmente, mais um ano o Brasil ficou com o maior número de cidades entre as mais violentas do mundo em 2015. Foi o que revelou um ranking internacional publicado por uma ONG mexicana. Das 50 cidades com maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes em 2015, 21 são brasileiras. Quem mora no Brasil não tem nenhuma dificuldade em concordar e até mesmo interpretar estes números. Comecemos esta análise levando em conta o absurdo com que a nossa legislação trata o crime de homicídio.


A vida não tem nenhum valor no Brasil depois que permitiu-se que matar não é sinônimo de ir para cadeia e sim de se apresentar na Delegacia e posteriormente responder em liberdade na justiça. Raramente vai para a prisão quem mata. Posteriormente apresenta sua versão sobre o crime e somente a versão do assassino é analisada, pois quem está morto já não pode mais se defender e geralmente não sobra testemunha com coragem de relatar a justiça o que aconteceu.


Outro fator que certamente contribui e muito para o crescente numero de assassinatos é o narcotráfico que toma conta não somente do Brasil como do mundo. Graças a omissão do estado brasileiro o trafico e o consumo de drogas foi se alastrando por todas as cidades brasileiras e se instalando em todos os lugares. Hoje este crime domina as grandes e pequenas cidades e esse domínio é geral e o crime de homicídio fala mais alto quando o assunto é relação entre traficante e usuário, quase sempre com este último levando a pior justamente por ser a parte mais fraca desta relação. No mundo do tráfico não existe a palavra perdão ou compaixão e o tempo todo, a sentença de morte é a palavra mais empregada e praticada.


A lista, divulgada anualmente pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal, leva em conta o número de homicídios por 100 mil habitantes e inclui apenas cidades com trezentos mil habitantes ou mais. Foram excluídos países que vivem “conflitos bélicos abertos”, como Síria e Iraque.


Apesar de o Brasil ser o país com mais representantes, o maior índice de violência foi detectado nas cidades da Venezuela. A taxa média brasileira foi de 45,5 homicídios por 100 mil habitantes e a venezuelana, de 74,65. Caracas, capital do país, lidera o ranking geral, com 119,87 homicídios dolosos para cada 100 mil habitantes.
Primeiro lugar por quatro anos seguidos, San Pedro Sula, em Honduras, conseguiu reduzir o número de homicídios e passou para o segundo lugar. San Salvador, capital de El Salvador, ficou em terceiro.


No ranking de 2015 das 50 cidades mais violentas do mundo, divulgado, 21 estão no Brasil, cinco a mais que em 2014. Caracas, a capital da Venezuela, é a mais violenta do mundo. Fortaleza, capital do Ceará, a mais violenta do Brasil.


O tema divide opiniões no senado. Na avaliação do senador José Medeiros (PPS-MT), grande parte da violência está relacionada ao narcotráfico. Na opinião da senadora gaúcha, Ana Amélia (PP-RS) a solução para o problema da violência no país passa por ações conjuntas de todos os órgãos vinculados à segurança e de todas as esferas de governo.


Mais investimento em segurança pública, eficiência no controle das fronteiras e concursos para a polícia federal foram apontados pelos senadores como medidas para reduzir a violência no país.


A solução não é tão simples assim. Não é através de mais policiais federais que o problema será solucionado. Primeiro o que se tem a fazer é admitir que o Brasil está perdendo para a violência, que as próprias fronteiras estão abertas, escancaradas para o trafico de armas e drogas. O crime se organiza e o estado não consegue se equipar o suficiente para enfrentar os criminosos. O País não consegue se planejar, impor estratégias, reagir contra o crime que aos poucos foi recrutando os nossos jovens pela própria omissão do estado.


O tempo foi passando e o crescimento populacional foi sendo registrado, porém não se tem um controle sobre este crescimento populacional. Onde estão os nossos jovens que muito cedo deixam a escola?. A omissão é geral. Começando pelos pais e se completando com o estado. Não se tem um controle rigoroso nem mesmo sobre os presídios brasileiros onde também se mata pela droga. Presos comandando o tráfico de dentro das cadeias. Cometendo assassinato na cela ou determinando que assassinatos ocorram fora da prisão. Então, a violência é o retrato da omissão do estado.

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