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Protesto ‘suspende’ planos de saúde

06 Abr 2011 - 20h28
Legenda: Paciente mostra guia de consulta remarcada por causa da mobilização - Crédito: Foto: Arquivo/PROGRESSOLegenda: Paciente mostra guia de consulta remarcada por causa da mobilização - Crédito: Foto: Arquivo/PROGRESSO
DOURADOS – A paralisação da classe médica em protesto ao baixo valor pago pelas operadoras de planos de saúde deve atingir em cheio este serviço hoje em Dourados. O protesto é nacional e tem como objetivo pressionar os dirigentes das operadoras para reajustar o valor pago por consultas e procedimentos médicos. Em Dourados, a mobilização já está confirmada e deverá abranger inclusive a Unimed, cooperativa dos próprios profissionais – apesar do apelo da Associação Médica da Grande Dourados para que os especialistas mantenham o atendimento a estes usuários.

Hoje, durante todo o dia, usuários de planos de saúde não poderão realizar consultas e exames médicos eletivos, ou seja, aqueles pré-agendados. Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, até mesmo pequenas cirurgias e todos os procedimentos que dependam da presença de um médico não serão feitos hoje.

Por 24 horas, o atendimento ficará restrito a urgência e emergência nos hospitais. Nos consultórios, os médicos irão atender apenas às consultas particulares. A paralisação também irá prejudicar a realização de exames, já que os laboratórios de Dourados ficarão fechados para atendimento de planos de saúde. Os exames que estavam agendados para hoje estão sendo remarcados para outras datas.

Uma usuária que não quis ter o nome divulgado havia agendado, há três semanas, um exame de ultrassonografia para a manhã de hoje. Ontem, ela foi surpreendida com uma ligação do laboratório, remarcando o exame para o dia 20 de abril. “A funcionária me explicou que os exames também ficariam suspensos por plano de saúde. Segundo ela, todos os laboratórios da cidade ficarão fechados hoje por causa do protesto dos médicos”, disse ela, que afirma ter ficado muito aborrecida com a situação. “Pago por um plano de saúde e, quando preciso, não posso usá-lo. O exame estava agendado há três semanas e agora vou ter que esperar mais 15 dias”, reclama.

O delegado do Sindicato dos Médicos de MS em Dourados, Jorge Luiz Baldasso, disse que inicialmente a mobilização afetaria apenas as consultas, mas acabou incrementando outros procedimentos médicos. Segundo ele, o valor pago por alguns procedimentos é tão baixo que, em alguns casos, fica abaixo de R$ 10. Ele citou, inclusive, o caso de uma cirurgia bastante delicada, em que dois médicos tiveram prejuízo ao convocar o auxílio de um instrumentador, serviço que não era coberto pelo plano de saúde do paciente.

“Quando foram conferir os honorários, os dois médicos tiveram ainda que desembolsar R$ 20 cada para poder pagar o instrumentador. É uma situação absurda. Ou seja: para oferecer o melhor atendimento ao paciente, os médicos tiveram que pagar por isto”, afirma, ao lembrar que o caso acaba sendo visto com muito bom humor entre os colegas. “Virou até ‘gozação’ entre os profissionais, mas é um exemplo claro do problema da baixa remuneração”, afirma.

#####Plano de saúde

Baldasso disse à reportagem que recomenda muita cautela dos usuários ao contratar um plano de saúde. Segundo ele, é preciso avaliar o valor dos honorários médicos para, então, decidir entre esta ou aquela operadora. “É preciso analisar bem. O plano que paga mal o médico vai acabar deixando o paciente na mão”, diz ele.

Inicialmente a paralisação ficará restrita ao dia de hoje. Amanhã, os atendimentos serão feitos normalmente. De acordo com a Associação Médica da Grande Dourados, caso não surta efeito, a mobilização será estendida por mais 48h ou 72h.

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